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Chimarrão

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O chimarrão é uma tradição gaúcha que acompanha a peonada do campo e da cidade diariamente, o clima quase sempre frio favorece a prática desse costume que além de gostoso é revigorante e também fraterno pois a cuia passa de mão em mão, dando sequência nas trovas e conversas. É ótimo parceiro do churrasco, pois é diurético e digestivo. Uma roda de chimarrão é um momento de descontração, fazendo parte de um ritual indispensável para unir gerações. O mate pode ser tomado de 3 maneiras: solito (isoladamente), parceria (uma companhia) e em roda (em grupo). O mate solito faz parte da cultura do homem que não precisa de estímulo maior para matear do que sua própria vontade. Pode-se dizer que é o verdadeiro mateador, ao contrário do mate de parceria, em que a pessoa espera por um ou dois companheiros. A erva mate é encontrada principalmente no sul do Brasil e norte da Argentina e seu nome científico é Ilex Paraguariensis. A origem do chimarrão está ligada ao hábito dos índios guaranis, que serviam uma bebida feita com folhas fragmentadas, tomadas em um porongo por meio de um canudo de taquara, herança, segundo a tradição, do Deus Tupã.

Chimarrão

Glaucus Saraiva

 

Amargo doce que sorvo

Num beijo em lábios de prata!

Tens o perfume da mata

molhada pelo sereno

E a cuia, seio moreno

que passa de mão em mão,

traduz no meu chimarrão,

em sua simplicidade,

a velha hospitalidade

da gente do meu rincão.

 

Trazes à minha lembrança,

nesse teu sabor selvagem,

a mística beberragem

do feiticeiro charrua

o perfil da dança nua

encravada na coxilha,

apontando, firme, a trilha

por onde rolou a História,

empoeirada de glória

da Tradição Farroupilha!

 

Em teus últimos arrancos,

no ronco do teu findar,

ouço um potro corcovear

na imensidão do pampa!

E em minha mente se estampa,

reboando dos confins,

a voz febril de clarins

repinicando: Avançar!…

Então me fico a pensar,

apertando o lábio assim,

que o amargo está no fim,

que a seiva forte que eu sinto,

é o sangue de “35”

que volta verde em mim!

 

Charque, o prazer da tradição gaúcha

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Na história do Rio Grande do Sul, o charque foi o estopim da Revolução Farroupilha (1835-1845). Na época, as charqueadas – estâncias que produziam a carne – dominavam a economia gaúcha. O charque era vendido para todo o Brasil e também para o exterior. Insatisfeitos com os altos impostos aplicados pelo governo imperial, os estancieiros liderados pelo general Bento Gonçalves travaram uma guerra civil que se tornou um capítulo à parte na história do Rio Grande do Sul.

Sem dúvida alguma, o churrasco é o carro-chefe na mesa de qualquer gaúcho que se preze. Porém, o assado tem um companheiro à altura, que também reina com distinção, o arroz de carreteiro feito com charque. A receita simples, que mistura em panela de ferro, arroz, charque, cebola, alho e salsa, é uma herança do carreteiros, esses homens que, no século 18, atravessavam o Estado comercializando alimentos e gado, levando a carne salgada e desidratada na bagagem como principal ingrediente de uma refeição forte, capaz de sustentar a lida no campo.

O nome vem do dialeto quíchua xarqui, língua dos povos indígenas que habitavam a região dos Andes. Há registros de que, na América do Sul, antes da chegada dos espanhóis, os incas, nos altiplanos andinos a mais de 4 mil metros de altitude, elaboravam um produto dessecado com carne de Ihamas cortada em tiras. É provável que a técnica dos incas tenha chegado às regiões Nordeste e Sul do Brasil por duas rotas distintas a partir de Cuzco: ao longo do rio Amazonas e pela Cordilheira dos Andes. (more…)