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Civilidade em Santa Rosa

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Há muito que vou a Santa Rosa, de passagem para Porto Lucena. Costumo ficar por lá, no mínimo uma noite. Este ano, porém, notei algumas mudanças na cidade que merecem elogios: uma delas é em relação ao trânsito - os carros, em geral, respeitam os pedestres, parando nas faixas de segurança -, a outra, que eu já tinha observado anteriormente é em relação ao barulho - não é permitido carros com som alto, propagandas em carros, motos e bicicletas, nas lojas e farmácias, não pode exceder um limite tolerável. O resultado é que se tem uma cidade mais humana, agradável, sem poluição sonora, onde não se precisa falar aos gritos para ser ouvido. Ambos os casos poderiam ser copiados por todas as cidades, inclusive Rio Grande e Pelotas, onde impera o desrespeito aos pedestres e ouvidos alheios. Parabéns, Santa Rosa!

Do Norte aos Ausentes, uma viagem aos Campos de Cima da Serra (parte 4)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Depois do dia cansativo e frio, nada como a noite quentinha na Pousada Fazenda Aparados da Serra. Uma das coisas legais do lugar é que não há televisão nos quartos nem na sala de estar e de refeições. Só numa pequena salinha, pra quem não pode sobreviver sem uma. Com o clima frio do lugar, seria um convite pra maioria ficar nos quartos, embaixo das cobertas se entediando com TV. Com isso, vai todo mundo pra sala, na beira da lareira, conversar, tomar chimarrão e curtir o clima. Há pessoas de diversos locais, o que rende boas rodas de conversa.
Buenas, mas o terceiro dia de nossa viagem não amanheceu dos melhores. Chuviscava, a cerração era forte e a temperatura baixa, mas como viemos nos aventurar, nos vestimos adequadamente e fomos à luta. Saímos pelas estradas embarradas do interior de São José dos Ausentes atrás do Cachoeirão dos Rodrigues. O esforço valeu a pena. Depois de muito chafurdarmos no barro chegamos. A paisagem é linda demais! Os rios da região são cristalinos, correm em leitos de pedra. No local foi gravado cenas da novela O profeta e A casa das sete mulheres. A queda d’água impressiona. Saímos de lá e tentamos chegar ao Desnível dos Rios Silveira e Cerquinha, mas devido a estarem cheios, não conseguimos. Os dois rios correm paralelos, porém com desnível de altura, podendo, com as cheias, um despejar suas águas no outro. Foi uma pena não termos conseguido visitar. Mas nem tudo estava perdido. Um passeio pelo interior do município é garantia de paisagens deslumbrantes. As tradicionais mangueiras de pedra, muitas da época dos jesuítas, com quilômetros de extensão, são um traço marcante da região. As fazendas serranas são muito bonitas e tem características próprias. As florestas de araucárias, as gralhas azuis, as curicacas, os morros, os cânions, os rios, tudo forma uma das mais belas paisagens do país.
Voltamos pra pousada e depois do almoço fomos ao Cânion Pico do Monte Negro. Todos diziam que não conseguiríamos ver o cânion, devido ao fenômeno da inversão, da neblina e da chuva. Mesmo assim, insistimos e enfrentamos a tarde gelada e chuvosa. Fomos recompensados! Chegamos ao teto do RS, o Pico do Monte Negro sob forte cerração, mas rajadas de vento abriam e a paisagem se descortinava na nossa frente. O curioso é que o local mais alto do Estado parece um simples morrinho. Só que o lugar é muito alto. São 1.403 metros. É preciso tomar muito cuidado ao caminhar sob cerração, pois no terreno plano o cânion aparece como um rasgo na terra, com mais de mil metros de profundidade. Ali também fomos abençoados por rajadas de ventos que levaram as nuvens e por alguns segundos podíamos olhar toda a beleza do lugar. Apesar da chuva, do frio e do cansaço de caminhar no terreno irregular, valeu demais ter ido lá.
Voltamos para a pousada satisfeitos. Depois de um bom banho quente e mais umas coisas gostosas na beira da lareira, só restava agradecer pelo dia que tivemos.
Curiosidades da Pousada Fazenda Aparados da Serra. A proprietária, Bete. é uma das melhores cozinheira da região. Bom motivo pra visitar o local! O proprietário, Mário, participou, como figurante, de “A casa das sete mulheres” e é um bom papo. O filho deles, o Guilherme, foi o garotinho do início da novela “O profeta”. Além disso, são simpatisíssimos, atenciosos e, como todo gaúcho, por demais de hospitaleiros. Estando hospedado em uma das pousadas de São José dos Ausentes, pode-se visitar as atrações nas demais pousadas sem custo algum.
No dia seguinte, quando estávamos de partida, o sol resolveu aparecer com toda sua força. O céu azul era um convite pra ficar, mas tínhamos que voltar. Depois do chimarrão, um bom café, e estrada. Saímos em direção ao centro de São José dos Ausentes. Passamos pelo distrito de Silveira antes de chegar à cidade. Da pousada ao centro, são mais de 40 km de estrada de chão. Com o barro, todo cuidado é pouco. Seguimos pra Bom Jesus, onde almoçamos e nos separamos. Como eu tinha que voltar ao trabalho e o Roque podia ficar, ele ficou em Bom Jesus e nós seguimos pra Vacaria e de lá descemos até Rio Grande.
Tchê, foi um passeio inesquecível! Ainda mais como fizemos, indo do Norte aos Ausentes. Quem sabe não voltamos no verão para ver o fundo do Itaimbezinho, pela trilha do rio do Boi?

Do Norte aos Ausentes, uma viagem aos Campos de Cima da Serra (parte 3)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pegamos a estrada novamente às 15h de Cambará do Sul para São José dos Ausentes. A estrada é muito ruim, com muitas pedras soltas e buracos. Recompensa a bela paisagem. Poucos minutos depois, passamos em Oswaldo Kroeff, um grande distrito cambarense. Logo em seguida passamos pela indústria de celulose Cambará S. A. A indústria é enorme e deve ser a grande fonte de renda do município. Na beira da estrada, um rio de águas claras corre sobre pedras. Do lado de fora do carro faz muito frio. Alguns metros adiante, uma construção estranha chama atenção, é uma pequena usina hidrelétrica.
Seguimos adiante pela buraqueira. Alguns quilômetros depois, chegamos à divisa dos dois municípios. Uma ponte sobre um rio é o limite. Logo em seguida, chama atenção as belíssimas fazendas serranas de São José dos Ausentes, com suas compridas taipas de pedra, muitas delas com mais de 200 anos. Ficamos sabendo, depois, que uma dessas cercas de pedra media mais de 14km. Uma beleza que não passa despercebida.
Como era a primeira vez que estávamos indo pra lá, não conhecíamos direito o caminho e nem sabíamos onde ficava a pousada que tínhamos reservado. O que nos guiava eram mapas e pesquisas no Google Earth. Pegamos uma estradinha sinuosa em direção à Serra da Rocinha. Passamos próximos ao Vale das Trutas, um sítio com pousada e pesca de trutas arco-íris. O lugar é lindo. Como estava ficando um pouco tarde, seguimos viagem. A divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, na Serra da Rocinha é um espetáculo da natureza. A serra impressiona pela altura. Há uma rampa para salto de asa delta lá em cima, mas o que mais chama atenção é a sinuosa estradinha que desce a serra até a cidade de Timbé do Sul em SC. Tchê, tem que ter café no bule pra descer por ali. É muita curva e chão com pedras soltas!
Detalhe: a tarde de céu aberto, bem diferente da manhã, quando estávamos no Itaimbezinho, apesar do sol, era gelada. Muito gelada! Ali pegamos a temperatura mais baixa da viagem. Algo em torno de -8º C, com vento que penetrava pela roupa e fazia até cusco renguear. A la fresca!
Quando pegamos a estrada de novo, a noite começava a cair e, como disse antes, não conhecíamos o caminho para a pousada. Passamos no Centro de Informações Turísticas de São José dos Ausentes e percorremos mais de 40km até chegar na aconhegante Pousada Fazenda Aparados da Serra, onde fomos recebidos com um chimarrão bem quente pelos simpáticos proprietários Mário e Bete. Uma lareira acesa esquentava a noite fria dos Campos de Cima da Serra e uma sapecada de pinhão esperava ser devorada. Lá fora, o frio era intenso, mas agora nada disso importava. Amanhã é outro dia!

Do Norte aos Ausentes, uma viagem aos Campos de Cima da Serra (parte 2)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O plano inicial era passar a noite em Osório e seguir, no dia seguinte, rumo a Cambará do Sul. Após visitarmos o Morro da Borússia, voltamos ao centro da cidade para procurarmos o hotel que tínhamos reservado, porém, olhamos o relógio e depois de uma curta conversa, resolvemos que daria para seguir viagem. Pegamos a BR 101 e seguimos até Terra de Areia. Neste trecho há muitas obras e o trânsito é bem caótico. Logo em seguida tomamos a Rota do Sol e começamos a subir a serra. Passamos por Itati às 17:20h. O frio era grande. É uma estrada muito bonita, com paisagens de deixar o gaúcho babando. Pena que é muito perigoso parar para fotografar. Após passarmos pela entrada para Tainhas, seguimos rumo a Cambará do Sul. Paramos para fotografar a beleza do cânio Josafaz, totalmente coberto pelas nuvens no final da tarde.
Chegamos em Cambará do Sul aproximadamente às 18:30h, noite fechada. Ficamos na Pousada Alvorada, atendida pelo simpático senhor Paulo. Além de aconchegante, fica bem no centro da cidade, que foi bom para nós, que já estávamos cansados de viajar desde às 6:15h. Depois de um bom banho, uma deliciosa janta, nada melhor que dormir para começar cedo no outro dia.
Acordamos com uma manhã fria e cinzenta. O dia não prometia. Decididos a ir visitar o Parque Nacional dos Aparados da Serra, fomos ao Centro Cultural Dr. Santo Bornéo, uma linda construção em madeira, onde a um serviço de atendimento ao turista. Contatamos um guia que nos levou ao parque. A bem da verdade, o PARNA Aparados da Serra, por ser uma área administrada pelo Ibama, é bem tranquilo de visitar, sem trilhas radicais, mas a presença de um guia se torna fundamental pelo conhecimento que ele tem da região. O nosso, foi o Dedé, gente louca de especial, que nos acompanhou e deu dicas, além de tirar algumas fotos pra nós.
A maior atração do parque, sem dúvida é o cânion Itaimbezinho. Suas paredes medem 5,8 km de extensão, 720 metros de profundidade e 600 metros de largura. Saindo de Cambará do Sul, fica a 18km do centro, com acesso pela RS 429. A estrada é de terra e pedregosa.
Chegamos lá com o céu totalmente nublado e com poucas possibilidades de ver o cânion, mas não desistimos. Começamos pela trilha do Cotovelo, com 6,3km de extensão. À medida que íamos caminhando, sob baixa temperatura, o sol começava a aparecer. A maior parte desta trilha é feita por uma antiga estrada do parque e o restante, mais ou menos 2,3km, pela borda do cânion. A vista é impressionante. Os paredões são altíssimos e retos. Dos mirantes se pode avistar a cascata Véu de Noiva e o rio do Boi, lá embaixo. Os campos ao redor do cânion tem uma coloração bronzeada devido as baixas temperaturas que acabam “queimando” tudo.
Nisso o céu já estava ficando azul. Além da beleza do cânion, é impossível não se encantar com a beleza da mata com suas araucárias.
Voltamos dessa trilha e fomos fazer a trilha do Vértice, bem menor e também muito fácil. São cerca de 1,4km, com placas, mirantes e passarelas. Qualquer pessoa encara essa trilha. Num dos mirantes pode-se ver a cascata das Andorinhas, cujas águas são do arroio Perdizes e mede 300 metros de altura. Do outro mirante se vê a cascata Véu de Noiva, formada pelas águas do arroio Preá e com 500 metros de altura. Essas águas dos dois arroios é que formam o rio do Boi, no fundo do cânion. Há ainda um terceiro mirante, de onde se vê as duas cascatas e o início do cânion, o vértice, que dá o nome à trilha.
A trilha do rio do Boi só é possível fazer com a presença de um guia credenciado pelo Ibama e é feita na parte de baixo do Itaimbezinho, cujo acesso é por Praia Grande (SC). Ao todo são mais de oito quilômetros e difícil, com muitos obstáculos, pedras, passando por dentro do rio. Não fizemos esta. O bom é no verão.
No parque há um Centro de Informações Turísticas, com toda infraestrutura.
Além do Parque Nacional dos Aparados da Serra, há o Parque Nacional da Serra Geral, cujas atrações principais são os cânions Fortaleza, Malacara e Churriado.
Depois da visita ao Itaimbezinho, um pouco cansados e com muita fome, voltamos ao centro de Cambará do Sul para almoçar. O dia já estava bem mais bonito, mas nem por isso, menos frio.
Em frente à praça a Igreja Matriz São José é imponente. Em seu interior há pinturas de um assessor de Aldo Locatelli e sua torre mede 32 metros de altura. Na praça pode-se conhecer a árvore que dá o nome à cidade, cujas propriedades medicinais são ótimas para combater gripes e tosses fortes.
Após o almoço, pegamos novamente a estrada, dessa vez em direção a São José dos Ausentes. Buenas, mas termino de contar este trecho depois.

Do Norte aos Ausentes, uma viagem aos Campos de Cima da Serra (parte 1)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quando planejamos a viagem aos Campos de Cima da Serra, tínhamos uma proposta: ir por São José do Norte até São José dos Ausentes, uma rota diferente. Até agora não conhecemos ninguém que tenha feito tal viagem. Claro que, atualmente, com o término do asfaltamento da BR 101, antiga Estrada do Inferno, ficou tudo mais tranquilo e, o melhor, sem um único pedágio.
Buenas, fizemos a viagem em pleno inverno gaúcho, o que significou levar muita roupa para enfrentar o frio. Tivemos que sair de madrugada de Rio Grande para assegurar um lugar na balsa que faz a travessia pela Lagoa dos Patos até São José do Norte. Há uma hierarquia na travessia: primeiro os caminhões com alimentos perecíveis, depois demais caminhões com alimentos e só após os demais veículos em ordem de chegada. Ficamos bem no meio da balsa, entre outros carros e caminhões. Pensávamos ver o sol nascer na laguna, mas não teve jeito. Tudo o que vimos foram os outros veículos. Chegamos a São José do Norte às 7:45h e partimos direto para a BR 101. Neste trecho da viagem, nada poderia ser mais tranquilo, sol brilhante e céu azul. Com o passar das horas começou a nublar. (more…)

Do Norte aos Ausentes

terça-feira, 14 de julho de 2009

Uma das coisas mais bacanas de viajar é justamente planejar a viagem. Para não passar dificuldades durante o percurso, é bom pesquisar antes as condições das estradas, saber por quais lugares vai se passar e o que tem de interessante em cada um. Estamos próximo de fazer um roteiro há muito planejado, que vai sair de Rio Grande, cruzar a Lagoa dos Patos rumo a São José do Norte e tomar a BR 101 até São José dos Ausentes. Vamos pegar a Rota do Sol e chegar aos cânions nos Campos de Cima da Serra, região mais alta e fria do Rio Grande do Sul. Informações suficientes já temos, então, em breve estaremos na estrada. Aguardem novidades no Peçuelos! Se alguém já fez este trajeto, envie sugestões!

Cachoeiras, cascatas, corredeiras

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Segundo o Aurélio, uma corredeira é o trecho de rio onde as águas, dada a inclinação do terreno, correm céleres, e que, muitas vezes, corresponde à última etapa de uma queda-d’água. Daí, as cachoeiras e cascatas, coisa comum na colônia pelotense. Fazer um passeio pela colônia é certeza de encontrar muitas cachoeiras e cascatas no acidentado terreno serrano da colônia. A maioria das propriedades permite visitação, porém, algumas, devido a má educação de alguns visitantes, não permite mais a entrada. A população local está preparada para receber os turistas e o fazem muito bem, então é de bom tom que os turistas retribuam a acolhida não sujando, não deixando lixo, respeitando os costumes locais. A recompensa é grande. Há beleza em casa detalhe das águas internas do município. Mais informações sobre propriedades que exploram o turismo rural podem ser obtidas no site da Gassetur, o Pelotas Colonial. Algumas das belas quedas d’água a visitar: cachoeira do Arco-Íris, Paraíso, dos Imigrantes, Templo das Águas, da família Camelato, da família Pegoraro, Cascata, entre outras nos arroios Quilombo, arroio Pelotas e outros. As águas são cristalinas, calmas e rasas, mas que podem causar verdadeiros estragos se encherem demais, como aconteceu no dia 29 de janeiro passado, na enxurrada que arrasou Pelotas. A famosa Cascatinha ficou destruída, pontes do interior foram abaixo pela força d’água, árvores centenárias foram arrancadas. Difícil de acreditar quando se vê a mansidão dos arroios pelotenses. Vai lá, tchê! Vale a pena!

Turismo Rural

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nessa viagem o lema é: não tire nada, além de fotografias, não deixe nada, além de pegadas, não mate nada, além do tempo e não leve nada, além da lembrança. Li este texto em um  folder de uma empresa de turismo receptivo.  Achei muito bom e totalmente coerente. Diz tudo em poucas palavras. Foi o que fizemos nos últimos dias 13 e 14 de junho. Fizemos uma outra exploração pela belíssima região colonial de Pelotas e Morro Redondo. Vou escrever mais sobre este passeio depois. Mais uma vez, o que me chamou atenção, foram as cachoeiras encontradas pelo interior de Pelotas. Creio que são poucos os privilegiados que conhecem a beleza rural da Princesa do Sul. Buenas, mas nunca é tarde para conhecer. É tri legal, tchê! Vai lá e não vais te arrepender!

Jaguarão, Cidade Heróica

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tchê, continuando sobre Jaguarão, tenho muito boas recordações desta cidade. Lembro da primeira vez que lá cheguei, a ponte, imponente, me chamou atenção. Atravessá-la era como um mistério: um outro país, outro idioma, outros costumes, outra moeda, outras leis. Continua sendo esse mistério. Para muitos, apenas a oportunidade de comprar nos free shops uruguaios, para mim, sempre algo mais. Vejo de maneira diferente. Cruzar o rio ainda é mágico.
Fundada em 6 de julho de 1832, Jaguarão tem como data mais importante o dia 27 de janeiro, nome dado a uma das mais importantes ruas da cidade. O motivo é que em 1865, uma força composta por dois corpos da Guarda Nacional resistiu durante 48 horas a uma tentativa de invasão do território brasileiro por mais de 1,5 mil homens do exército uruguaio. Sitiada e em desvantagem bélica, a guarnição comandada pelo coronel Manoel Pereira Vargas acabou vencendo o inimigo no cansaço. Os moradores, munidos até com ferramentas e utensílios domésticos ajudaram a combater e repelir os caudilhos estrangeiros. Daí ganhou o título de “Cidade Heróica”.
A imponente ponte foi pagamento por uma dívida assumida no século XIX. Naquele tempo, o general argentino Juan Manoel de Rosas ameaçava a liberdade do recém-emancipado Uruguai. Para auxiliar o país amigo, vários empréstimos foram concedidos por Dom Pedro II. O Uruguai salvou-se. Em compensação, devia 5 milhões de pesos em 1919. Para acertar as contas, as duas nações fecharam o “Tratado da Dívida”. Depois de três anos de obras, em 30 de dezembro de 1930, a dívida virou ponte e Jaguarão se ligou a Rio Branco.
A cidade, que teve seu auge econômico entre fins do século XIX e início do século XX, possui mais de 800 prédios desta época, a maioria muito bem conservada. A riqueza dos detalhes construtivos, como as portas de madeira entalhadas a mão, dão uma ideia da riqueza que foi o seu apogeu. Passear pelas ruas tranquilas e limpas da cidade é uma aula de história. Jaguarão foi a primeira Câmara a aderir a República Rio-Grandense e fica localizada a meio caminho entre Porto Alegre e Montevidéu, sendo o caminho mais rápido para se chegar ao Uruguai e Argentina.
Alguns atrativos imperdíveis entre tantos, são: Ponte Internacional Mauá, o Museu Carlos Barbosa Gonçalves, as igrejas Matriz do Divino Espírito Santo e Imaculada Conceição, a Casa de Cultura, a Rua XV de Novembro, a rua das portas entalhadas, o Mercado Público Municipal, Theatro Esperança, as Ruínas da Enfermaria, o Cerro da Pólvora, a praça Comendador Azevedo, feita para se aproveitar nos dias frios do inverno, com um mate bem cevado… Caminhar na beira do rio Jaguarão é uma atração a parte. 
Depois que tu veres tudo isso, aí tu podes cruzar a ponte e ir às compras no Uruguai! Rio Branco e Cuchilla merecem ser visitadas também. Mas não te detem apenas nas compras. Há muita coisa buena do outro lado do rio. Los hermanos, assim como os jaguarenses, sabem receber muito bem os turistas e visitantes.

 

Paredão do Camaquã

sexta-feira, 8 de maio de 2009

 

Era uma agradável manhã de setembro quando pensamos pela primeira vez em criar algo que viria a se tornar o Peçuelos. A ideia surgiu no meio da mata nativa às margens do rio Camaquã, na divisa entre Piratini e Encruzilhada do Sul, mais propriamente no Paredão do Camaquã. Aliás, o rio Camaquã vai merecer um artigo só para ele, pois em diversas de nossas andanças, quando vemos estamos nas suas margens.

Buenas, entonces vamos pegar carona pro Paredão! Sempre que íamos de Rio Grande a Santana da Boa Vista, a placa indicando o Paredão do Camaquã aguçava nossa curiosidade, até que naquela manhã bonita de setembro, resolvemos ir lá visitar o lugar. Já tínhamos relatos de pessoas que visitaram  e recomendavam. Sabíamos que o caminho, da BR 392 até lá não era dos melhores e que nem encontraríamos lancheria ou restaurante. Fomos preparados. Logo que pegamos a estrada, cruzamos com um piquete de cavalarianos, afinal estávamos em setembro. Iam a uma estância para uma churrasqueada. O caminho é pela Serra das Encantadas, com muitas coxilhas e, o que chama atenção, extensas plantações de acácia. Paramos em diversas ocasiões para fotografar a beleza da natureza. Numa delas, parou atrás de nós um simpático senhor para oferecer frutas orgânicas. Nos levou até sua propriedade onde  ofertou laranjas, bergamotas, limões e demais frutas. Além das frutas, a hospitalidade típica do gaúcho. Nos orientou como deveríamos fazer para chegar ao Paredão. Estávamos bem perto.

O dia estava bonito, o céu azul, temperatura agradável. Andamos, ou melhor, subimos mais um pouco a serra até o final da estrada de chão. Dali em diante, só a pé e pelo meio do mato nativo. Fizemos a caminhada pela mata até chegar à margem do rio, frente a uma paisagem deslumbrante: dois paredões de pedra gigantescos, como em um canyon e o rio passando pelo meio. Um dos paredões fica em Piratini e o outro no município de Encruzilhada do Sul. Ali a natureza é totalmente selvagem (graças a Deus) devido ao difícil acesso. Há bugios, veados e diversas outras espécies de animais. Fizemos nosso “almoço” sentados nas pedras na beira do rio. Tchê, que beleza! Durante este almoço é que conversamos: temos que criar um site para mostrar nossas viagens e as paisagens do nosso Rio Grande. Custou um pouco, até que nasceu o Peçuelos.

No trajeto há fornos de carvão, casas feitas de torrão, plantações, criação de gado, enfim, uma típica paisagem gaúcha. É um passeio para quem gosta de uma aventura, já que a estrada não é das melhores, mas que vale todo esforço.

Bah, mas lembra da gauchada do início? Estávamos voltando quando furou um pneu e bem perto da estância onde eles tinham apeado. Tivemos uma certa dificuldade com a troca e prontamente o pessoal nos ajudou, mostrando, mais uma vez, toda a hospitalidade gaúcha. De lá seguimos viagem para Santana da Boa Vista, onde à noite encontramos os amigos da manhã no CTG Marca do Tempo.