Arquivado em abril de 2008

Texto inédito de J. Simões Lopes Neto

terça-feira, 29 de abril de 2008

João Rimuito, no dia 24 de junho de 1888, escreveu “O pobre Tupaveraba”, no jornal A Ventarola, com circulação em Pelotas. O texto nem seria lembrado se João Rimuito não fosse ninguém menos que João Simões Lopes Neto. Esse era um dos seus clássicos pseudônimos.
No pequeno texto, escrito em versos, Simões usa a sátira como artifício para a crítica social. Atualmente fica difícil entender o sentido de crônicas como esta, porque elas fazem alusão a acontecimentos cotidianos, que tiveram repercussão momentânea. O assunto deve ter sido muito comentado nas rodas de conversa em Pelotas naquela época.
Segundo o pesquisador Luís Borges, um escravo chamado Tupaveraba havia morrido com suspeita de envenenamento, o que gerou uma polêmica entre vários médicos, que com o incentivo da imprensa eram convocados a dar sua opinião. No auge da controvérsia, um deles chegou a afirmar que concluíra que o escravo poderia ter sido envenenado ou não
Simões Lopes, aproveitou-se da situação para tecer seu comentário. Segundo Borges, “Ele tinha uma postura positivista, era adorador da ciência e do progresso e por isso pode parecer contraditório que ele lançasse farpas tão sarcásticas à classe médica. Mas acontece que ele sofria de estrabismo, e quando jovem passou por uma cirurgia malsucedida que acabou por agravar seu problema de visão e esse fato marcou fortemente suas obras literárias. Sempre que podia, não perdia a oportunidade de ridicularizar os médicos, acusando-os de charlatães e inábeis”.
Além de acrescentar dados à biografia do escritor, o texto praticamente inédito representa uma inovação em termos de estilo literário, já que o poema, classificado por quem o transcreveu como um triolé, realmente parece, mas na verdade nãoé um legítimo triolé.
O triolé é uma forma fixa de poema com oito versos, muito utilizado na época. Simões Lopes Neto conseguiu modificar, com bastante ousadia, esse padrão literário e inovou onde não havia como inovar.
No poema, é possível reconhecer elementos de oralidade que posteriormente foram trabalhados pelo autor em seus “Contos Gauchescos”.

Triolé transcrito em grafia original

I
O pobre Tupaveraba
(Envenenado - sim ou não?)
Depois de morto retorna
Às luzes da discussão
O pobre Tupaveraba
(Envenenado - sim ou não?)

II
Vários Hipocrates gordos,
Varios galenos magros
Fulminam sem dó, nem pena:
É polvilho! Qu’envenena!?…
Varios Hipocrates gordos,
Varios galenos magros,

III
E rugem uns, riem outros,
Do - digo eu - diras tu?
- Tomou veneno o João!
- Não diga tal heresia!
- Senhores! Que gritaria!
- Apoiado! Tens razão!
E rugem uns, riem outros,
Do - digo eu - diras tu?

Mas,
O outro coitado, dorme em paz.

Pelotas,
João Rimuito

35 CTG completa 60 anos

terça-feira, 29 de abril de 2008

Tomando mateCriado em Porto Alegre, no dia 24 de abril de 1948, há seis décadas, o primeiro CTG do Rio Grande do Sul concretizou um modelo cultural que avançou além das fronteiras e, num mundo globalizado, onde tudo é padronizado, preserva não só a cultura, mas principalmente a identidade do gaúcho.
A agremiação surgiu por iniciativa de oito jovens, liderados por Paixão Côrtes e Barbosa Lessa, que com mais seis colegas do Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, se uniram para reacender a tradição rio-grandense.
Em 1947, o Grupo dos Oito, como ficou conhecido, deu um passo importante, carregando pelas ruas de Porto Alegre a Chama Crioula. Foi a semente para a fundação de um centro que se tornasse a sede para a representação das danças, das músicas, das comidas e dos costumes típicos do gaúcho.
Reunidos no porão de um casarão no centro da cidade, os oito pioneiros se juntaram a outros jovens com os mesmos ideais para assinar a primeira ata do 35 CTG. O nome faz referência ao início da Revolução Farroupilha, em 1835. Os primeiros encontros ocorreram sob a desconfiança da vizinhança, relembra Paixão Côrtes.
- Um dia até polícia bateu lá para averiguar. Imagina um porão com 30 ou 40 jovens, de onde saía fumaça  e o som da acordeona? Chegaram a nos chamar até de comunistas - conta.
Para ele, o CTG alcançou uma simbologia até então inexistente em qualquer sociedade:
- Os povos brigam tanto para conseguir firmar a sua identidade, e uma entidade não-militar, só com a sensibilidade da sua gente, projetou isso universalmente.

Minas do Camaquã

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Se não tens nada pra fazer e pensas em viajar, uma dica diferente e bacana para o feriado que se aproxima, é Minas do Camaquã, no interior de Caçapava do Sul e também as Guaritas. Vai lá!

Peçuelos

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Espécie de alforge duplo ou malas de couro, usado pelo gaúcho campeiro  na garupa do cavalo e onde conduz roupas e outras utilidades, em especial quando de suas andanças. Por constituir-se de dois sacos ou malas, preso um ao outro, a denominação peçuelos é sempre usada no plural.

Buenas, tchê!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Este é apenas uma pequena mostra do que poderemos fazer por aqui. Dentro em breve este blog estará totalmente funcional para podermos discutir um pouco sobre o RS. ;-)