Arquivado em maio de 2008

Deserto de eucaliptos

sexta-feira, 30 de maio de 2008

“Eu não quero deixar pros meus filhos, a pampa pobre que herdei do meu pai”.

Assim começa uma música do Gaúcho da Fronteira. A falácia da riqueza que será gerada com a plantação de 300 mil hectares de eucaliptos pode tornar o bioma pampa em um grande deserto. A exploração por indústrias estrangeiras, o poder econômico, pode trazer danos irreversíveis às reservas de pastagens nativas do pampa gaúcho. Poucos se questionam o por quê das indústrias de celulose quererem ficar tão próximo às fontes de água. Poucos ouvem os biológos, ecologistas e demais estudiosos do bioma pampa. Será que vale a pena entregar o que de mais precioso temos, que é nossa natureza pela ganância do vil metal? Será que vale o preço?

Charque, o prazer da tradição gaúcha

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Na história do Rio Grande do Sul, o charque foi o estopim da Revolução Farroupilha (1835-1845). Na época, as charqueadas – estâncias que produziam a carne – dominavam a economia gaúcha. O charque era vendido para todo o Brasil e também para o exterior. Insatisfeitos com os altos impostos aplicados pelo governo imperial, os estancieiros liderados pelo general Bento Gonçalves travaram uma guerra civil que se tornou um capítulo à parte na história do Rio Grande do Sul.

Sem dúvida alguma, o churrasco é o carro-chefe na mesa de qualquer gaúcho que se preze. Porém, o assado tem um companheiro à altura, que também reina com distinção, o arroz de carreteiro feito com charque. A receita simples, que mistura em panela de ferro, arroz, charque, cebola, alho e salsa, é uma herança do carreteiros, esses homens que, no século 18, atravessavam o Estado comercializando alimentos e gado, levando a carne salgada e desidratada na bagagem como principal ingrediente de uma refeição forte, capaz de sustentar a lida no campo.

O nome vem do dialeto quíchua xarqui, língua dos povos indígenas que habitavam a região dos Andes. Há registros de que, na América do Sul, antes da chegada dos espanhóis, os incas, nos altiplanos andinos a mais de 4 mil metros de altitude, elaboravam um produto dessecado com carne de Ihamas cortada em tiras. É provável que a técnica dos incas tenha chegado às regiões Nordeste e Sul do Brasil por duas rotas distintas a partir de Cuzco: ao longo do rio Amazonas e pela Cordilheira dos Andes. (more…)

Semana Farroupilha tem patrono

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tendo como tema “Nossos símbolos: nosso orgulho!”, a Semana Farroupilha deste ano terá como patrono Wilmar Winck de Souza, de 81 anos e um dos fundadores do 35 CTG. Natural de Palmeira das Missões, Wilmar acredita que o movimento tradicionalista está cada vez mais forte e que nunca imaginou que, quando com 21 anos, junto com Paixão Cortes, Barbosa Lessa e Glauco Saraiva, o movimento teria toda essa repercussão que teve. Para ele o tradicionalismo não tem fronteiras e esta sempre disposto a divulgar a cultura gaúcha.

Turismo rural em Pelotas

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Normalmente as pessoas sonham conhecer o mundo, ir a lugares que dificilmente poderão conhecer. Acabam se frustrando por não poder ir e deixam de conhecer o que está ao seu alcance. Então por que não começar por sua cidade, pelas ruas, prédios, recantos escondidos do interior, áreas rurais, belezas tão presentes no nosso dia a dia, mas que, por estarem tão próximas, ignoramos.

Não precisa ir muito longe para desfrutar de tanta beleza. Comece por Pelotas. O centro histórico é testemunha de um tempo de muito riqueza e que mantém até hoje toda sua beleza, com prédios e monumentos que fazem viajar no tempo. Escreverei mais sobre o centro em outra ocasião. Do centro, pegue a av. Domingos de Almeida e vá até o final. No caminho dê uma parada e conheça o Museu e Parque da Baronesa. Visita imperdível, para quem é de fora e mesmo para quem é pelotense. Depois, continuando pela Domingos de Almeida, estique até a Estrada da Costa e conheça as charqueadas Santa Rita e São João, testemunhos vivos do “Ciclo do Charque”. Neste meio tempo aproveite para ver as mansas águas do Arroio Pelotas, Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul. Vamos deixar o Laranjal para outra hora. Agora vamos pra Colônia. (more…)

Ser gaúcho

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ser gaúcho não é apenas ter nascido, ou viver, no Rio Grande do Sul, seja na cidade ou no campo. Ser gaúcho é muito mais do que isso. Para ser gaúcho, também não é necessário andar sempre pilchado (ainda mais quando a pilcha nao é correta). Ser gaúcho é trazer no peito um amor e orgulho por ter nascido nesta terra, a mesma de Sepé. É saber cantar o hino em toda e qualquer ocasião. Não conheço, ou melhor, não sei de outro brasileiro que, em qualquer ocasião, cívica, esportiva, ou festiva, que além do hino nacional, cante também o hino do seu Estado. E isso não é fanatismo patriótico! 

Ser gaúcho é isso, não é apenas ter nascido ou viver aqui. É um estado de espírito, um orgulho (não soberba) de manter uma identidade, forjada ao longo dos anos, calcada na cultura, costumes, culinária, hábitos, música, jeito de ser, que tanto está se perdendo no mundo globalizado. MArco Aurélio Campos, definiu, em uma frase, com pureza, todo o sentido espiritual e material desse ser que habita, não só o RS, mas também o Uruguai e parte da Argentina: “Eu sou gaúcho e me chega pra ser feliz no universo”. Não se trata de prepotência e sim de alguém definido, resolvido no mundo.