Arquivado em junho de 2008

Livramento terá restos mortais de David Canabarro

sexta-feira, 27 de junho de 2008

A recém inaugurada Casa de Cultura de Santana do Livramento garantiu a transferência da urna mortuária do  general dos Farrapos para a cidade. O prédio, recuperado com verbas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, era usado por Canabarro quando de compromissos na zona urbana de Livramento. O local será um museu com peças usadas na Revolução Farroupilha e na Guerra do Paraguai.
Canabarro viveu por mais de 50 anos na Estância de São Gregório, distante cerca de 40kms do centro. Segundo seu tetraneto, Clóvis Fernandes, vice-patrão do 35 CTG, de Porto Alegre, apesar de ter nascido em Taquari, Canabarro escolheu Livramento para viver.
O transporte dos restos mortais será a cavalo, num trajeto de 497 quilômetros  e será próximo à Semana Farroupilha, em setembro.

Satolep, novo livro de Vitor Ramil

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Não sei como ainda não escrevi sobre Satolep, primeiro romance recém lançado por Vitor Ramil.
O livro foi lançado dia 13 de junho e, em uma linguagem poética, conta a volta do fotógrafo Selbor a sua cidade, vinte anos após ter partido. Satolep nasceu a partir de fotografias reunidas no Álbum de Pelotas, de 1922, organizado por Clodomiro Carriconde. Satolep é essa cidade. Ou seria Pelotas? Não, Satolep vive no imaginário de Vitor Ramil e Pelotas é a cidade que mais se aproxima a ela. Estão presentes no livro personagens emblemáticos no município, como o escritor João Simões Lopes Neto e o poeta e jornalista Lobo da Costa. Também aparecem Jorge Luis Borges, Fernando Pessoa, Alejo Carpentier e Ernesto Sábato. As ruas retas do centro, os ladrilhos hidráulicos, os casarões e, principalmente o clima, frio e úmido, também são personagens da história. Pode-se encontrar bastante elementos já escritos por Vitor em seu  outro livro A estética do frio, de 2004.
O livro impressiona pela beleza poética como a narrativa se desenvolve, aliás, para quem ouve o autor, compositor e músico, sabe bem o que estou falando.
Título: Satolep (288p. e 28 ilustrações)
Autor: Vitor Ramil
Editora: Cosac Naify
Preço: 39,00
Mais informações: www.vitorramil.com.br

Vitor Ramil estará no FLIP 2008, Festa Literária Internacional de Paraty, no Rio de Janeiro.

28ª. Coxilha Nativista

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Acontece, entre 31 de julho e 3 de agosto, a 28ª Coxilha Nativista em Cruz Alta, com o slogan “A essencia tropeira com alma de campo“.

Estive em algumas Coxilhas quando morei na terra de Erico Verissimo e tive a oportunidade de assistir a excelentes festivais, com grandes artistas e organizações impecáveis. E muito frio!

O festival acontecerá no Parque de Exposição de Cruz Alta e terá gincana nativista, tertúlia, rodeio crioulo e festival de causos e mentiras. Além disso, tu podes participar de jogo do osso, torneio de jogo da ferradura e do bolichão nativista.

Durante o evento haverá shows de Leonel Gomez, Pedro Ortaça, Joca Martins e Luiz Marenco, no ginásio municipal.

Vai lá, tchê! Te garanto que não vais te arrepender! Aproveita e conhece um pouco mais de Cruz Alta, a terra que deu nada mais, nada menos que Erico Verissimo ao mundo.

Outono gelado

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Mas bah, tchê! Tem feito frio de deixar muito cusco rengo neste final de outono. Isso é apenas o prenúncio do inverno que teremos pela frente. Na Serra e Campanha faz temperaturas abaixo de zero direto, mas a coisa não é mui diferente por aqui no extremo sul do RS, úmido e ventoso e com os campos branqueados de gelo. O melhor é aquecer a água, fazer um mate amargo e tomar na beira de um fogo de chão. A la fresca!

Prêmio Tim para Vitor Ramil

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O vencedor do Prêmio Tim de Música 2008  na categoria  Melhor Cantor por Voto Popular foi Vitor Ramil, que surpreendeu o público ao desbancar nomes como Lulu Santos e Caetano Veloso. Pode-se dizer que foi uma façanha, pois Vitor Ramil é um excelente artista, mas com pouco ou nenhum apelo popular. Que a música dele é muito superior a quase tudo que se houve por aí, com uma qualidade impecável, não sem tem dúvidas. Um reconhecimento justo para um artista que não se vende ao mercado e faz um trabalho onde a música e a poesia formam um jogo hipnótico arrebatador. Parabéns ao Vitor Ramil e a todos seus fãs! Parabéns também aos outros gaúchos que trouxeram o prêmio de Melhor Dupla, César Oliveira e Rogério Melo (”O Campo” - Acit). Prova que a autêntica música do sul está em alta.

Turismo rural em Pelotas - parte 2

terça-feira, 17 de junho de 2008

Seguindo pela região colonial de Pelotas. Saindo da cidade pela BR 392, Estrada da Produção, fizemos nossa segunda incursão pelo interior. Fomos, novamente, eu, Tatty,  Roque, Flávia, e a pequena Cintia. Viajamos até a entrada da Colônia Maciel rumo a Família Camelato, onde compramos ótimos vinhos de uva e pêssego, geléias de frutas e depois  fomos conhecer a cachoeira que fica encravada na propriedade. Passa-se por uma antiga ponte ferroviária. É uma grande oportunidade de conhecer a cultura local. Ainda na Colônia Maciel, também visitamos os Vinhos João Bento. Além dos ótimos vinhos, também há outros produtos à venda, como salames, doces, conservas. Na propriedade pode-se visitar uma antiga casa construída pelos primeiros  imigrantes italianos em 1888. A parte de baixo é toda de pedras irregulares e em cima, madeira bruta. Próximo dali visita-se, escondida no meio do mato, a belíssima Cachoeira do Imigrante. A trilha é pequena, mas requer bastante cuidado. De lá, fomos novamente ao Túnel Ferroviário, que sempre chama atenção por sua beleza. Muitas pessoas da região nem imaginam aquele túnel encravado no interior de Pelotas. Seguindo, fomos ao Templo das Águas, da Família Gottinari. Nos fundos da casa há diversas corredeiras do Arroio Pelotas, com pequenas cachoeiras. Templo das Águas é o nome mais do que apropriado para o lugar. Neste trecho o arroio não é navegável, bem diferente da região das charqueadas. Aliás, uma curiosidade: apesar de ter a maioria das gravações na Charqueada São João, o antigo moinho existente na propriedade da família Gottinari  também serviu de locação para a série A Casa das Sete Mulheres. Pena que logo após a série, houve umn incêndio que destruiu o moinho. Desnecessário falar da hospitalidade dos proprietários de todos os locais que visitamos.  São pessoas simples, que adoram contar sobre o local onde vivem. (more…)

Chimarrão

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O chimarrão é uma tradição gaúcha que acompanha a peonada do campo e da cidade diariamente, o clima quase sempre frio favorece a prática desse costume que além de gostoso é revigorante e também fraterno pois a cuia passa de mão em mão, dando sequência nas trovas e conversas. É ótimo parceiro do churrasco, pois é diurético e digestivo. Uma roda de chimarrão é um momento de descontração, fazendo parte de um ritual indispensável para unir gerações. O mate pode ser tomado de 3 maneiras: solito (isoladamente), parceria (uma companhia) e em roda (em grupo). O mate solito faz parte da cultura do homem que não precisa de estímulo maior para matear do que sua própria vontade. Pode-se dizer que é o verdadeiro mateador, ao contrário do mate de parceria, em que a pessoa espera por um ou dois companheiros. A erva mate é encontrada principalmente no sul do Brasil e norte da Argentina e seu nome científico é Ilex Paraguariensis. A origem do chimarrão está ligada ao hábito dos índios guaranis, que serviam uma bebida feita com folhas fragmentadas, tomadas em um porongo por meio de um canudo de taquara, herança, segundo a tradição, do Deus Tupã.

Chimarrão

Glaucus Saraiva

 

Amargo doce que sorvo

Num beijo em lábios de prata!

Tens o perfume da mata

molhada pelo sereno

E a cuia, seio moreno

que passa de mão em mão,

traduz no meu chimarrão,

em sua simplicidade,

a velha hospitalidade

da gente do meu rincão.

 

Trazes à minha lembrança,

nesse teu sabor selvagem,

a mística beberragem

do feiticeiro charrua

o perfil da dança nua

encravada na coxilha,

apontando, firme, a trilha

por onde rolou a História,

empoeirada de glória

da Tradição Farroupilha!

 

Em teus últimos arrancos,

no ronco do teu findar,

ouço um potro corcovear

na imensidão do pampa!

E em minha mente se estampa,

reboando dos confins,

a voz febril de clarins

repinicando: Avançar!…

Então me fico a pensar,

apertando o lábio assim,

que o amargo está no fim,

que a seiva forte que eu sinto,

é o sangue de “35”

que volta verde em mim!

 

Peçuelos e Estilo Viagem

terça-feira, 10 de junho de 2008

Nós e a MaysaNo sábado, dia 7 de junho, ao visitarmos a Charqueada Santa Rita, tivemos uma surpresa muito bacana. Encontramos a apresentadora do programa Estilo Viagem, da TVCOM.  Através do programa apresentado por ela, visitamos diversos lugares no Rio Grande do Sul. Depois contarei da visita a Charqueada Santa Rita, Charqueda Costa do Abolengo e Charqueada Boa Vista e da Charqueada São João, que visitamos em outra ocasião. Vale a dica para quem é de Pelotas e região e para quem vem na Fenadoce. Imperdível! 

Show de forró irrita nativistas

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Não poderia ser diferente, pois em um rodeio crioulo, cujo objetivo é preservar a tradição gaúcha, a Prefeitura de Osório pisou feio na bola ao convidar para a festa o Bonde do Forró.
O fato aconteceu no 28° Rodeio Crioulo Internacional de Osório, o que levou o Movimento Tradicionalista Gaúcho proibir a participação de CTGs no evento. Já está na hora de organizadores de eventos tradicionalistas aprender a respeitar a nossa cultura. No mínimo deveriam ter um conhecimento básico sobre o assunto. Se a Prefeitura de Osório quisesse trazer o Bonde do Forró na cidade, que trouxesse, já que há gosto prá tudo (gosto não se discute, se lamenta), mas não em um evento tradicionalista. O mesmo ocorre com a “tchê music”, que de gaúcha não tem nada, afinal não é por usar uma gaita que é música tradicionalista. Há tantos e bons representantes da autêntica música gaúcha e mesmo assim há quem ainda insista em lixos como o Bonde do Forró. Me desculpem os que gostam desse tipo de música, mas isso é muito ruim mesmo. Até gosto da boa música nordestina, mas cá prá nós, existe um abismo gigantesco entre o Bonde do Forró e boa música, ainda mais se tratando de um evento gauchesco, que deveria preservar a nossa cultura e não deturpar. Tá certo o MTG quando toma este tipo de atitude.