O chimarrão é uma tradição gaúcha que acompanha a peonada do campo e da cidade diariamente, o clima quase sempre frio favorece a prática desse costume que além de gostoso é revigorante e também fraterno pois a cuia passa de mão em mão, dando sequência nas trovas e conversas. É ótimo parceiro do churrasco, pois é diurético e digestivo. Uma roda de chimarrão é um momento de descontração, fazendo parte de um ritual indispensável para unir gerações. O mate pode ser tomado de 3 maneiras: solito (isoladamente), parceria (uma companhia) e em roda (em grupo). O mate solito faz parte da cultura do homem que não precisa de estímulo maior para matear do que sua própria vontade. Pode-se dizer que é o verdadeiro mateador, ao contrário do mate de parceria, em que a pessoa espera por um ou dois companheiros. A erva mate é encontrada principalmente no sul do Brasil e norte da Argentina e seu nome científico é Ilex Paraguariensis. A origem do chimarrão está ligada ao hábito dos índios guaranis, que serviam uma bebida feita com folhas fragmentadas, tomadas em um porongo por meio de um canudo de taquara, herança, segundo a tradição, do Deus Tupã.
Chimarrão
Glaucus Saraiva
Amargo doce que sorvo
Num beijo em lábios de prata!
Tens o perfume da mata
molhada pelo sereno
E a cuia, seio moreno
que passa de mão em mão,
traduz no meu chimarrão,
em sua simplicidade,
a velha hospitalidade
da gente do meu rincão.
Trazes à minha lembrança,
nesse teu sabor selvagem,
a mística beberragem
do feiticeiro charrua
o perfil da dança nua
encravada na coxilha,
apontando, firme, a trilha
por onde rolou a História,
empoeirada de glória
da Tradição Farroupilha!
Em teus últimos arrancos,
no ronco do teu findar,
ouço um potro corcovear
na imensidão do pampa!
E em minha mente se estampa,
reboando dos confins,
a voz febril de clarins
repinicando: Avançar!…
Então me fico a pensar,
apertando o lábio assim,
que o amargo está no fim,
que a seiva forte que eu sinto,
é o sangue de “35”
que volta verde em mim!