Arquivado em agosto de 2008

Gaúcho Farrapo

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Sou feliz , nasci Gaúcho,
Deus me deu este regalo,
sou briguento que nem galo
peleando no rinhedeiro,
sou pachola, sou faceiro,
sou bagual, não tenho encilha,
sou livre, sou farroupilha,
pra lutar fui um guerreiro.

Sou xucro, criado guaxo,
falquejado em coronilha,
fui cincerro de tropilha
de um tempo maula e aragano.

Sou alçado, não tenho dono,
meu andar ninguém maneia,
sou noite de lua cheia
vigiando, não tenho sono.

Meu grito é retumbar de legüero
chamando e atiçando a tropa.

Meu destino é quem galopa
nas patas da evolução,
sou raiz, sou tradição
de um passado de glórias,
fui revolução, sou  história
lutando por este chão.

Eu demarquei as fronteiras,
da República Riograndense,
o Rio Grande me pertence,
eu lutei para este fim,
fui tambor e fui clarim
nos fervores de uma guerra.

Eu sou filho desta terra,
fui Farrapo e sou assim.

Sou bandeira que esvoaça
guarnecendo esta querência.

Me ajoelho em reverência
ao meu pendão desfraldado,
verde, amarelo, encarnado,
tem força de Liberdade,
Igualdade e Humanidade,
símbolos de que fui marcado.

Ser livre, este é o sentimento
que trago neste peito guardado,
e que só fica rebelado
quando a justiça se afasta.

Gaudério, ninguém me castra,
sou taura e sou índio macho,
envergo mas não me agacho.

SOU GAÚCHO
E ISTO ME BASTA!

  • Adenir Paz da Silva

Cinema em Rio Grande

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Essa é de deixar qualquer vivente feliz como mosca em rolha de xarope. Os riograndinos especificamente. Depois de muito tempo sem cinema na cidade, abriu ontem o Cine Dunas Cidade (já que há um na praia do Cassino). O cinema fica na rua Andradas, 176 e inaugurou com o belíssimo O banheiro do Papa, co-produção entre Uruguai, França e Brasil. As sessões serão às 16:45hs, 19:45hs e 21:30hs e os ingressos custarão R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Às terças e quintas, todo mundo paga a metade.

Começou o Acampamento Farroupilha

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Nem setembro entrou e a Semana Farroupilha já começou a ser comemorada. Neste final de semana a gauderiada deu início ao Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho. Nem a chuva, o frio, o barro e até granizo, fez a gauchada desistir de aproveitar para comer um churrasco, tomar um amargo e prosear pelas ruas enlameadas do parque. A abertura oficial será no dia 7 de setembro.
Serão 368 piquetes e invernadas que farão parte do acampamento este ano e no sábado boa parte deles já estavam dando início às construções de pisos, paredes e tetos. Claro, tudo regado a churrasco e chimarrão, como o do piquete Raça Gaúcha, que começou a preparar o churrasco às 11:30hs e  se estendeu até depois das 16hs. Segundo o patrão Max Machado, não é qualquer chuvinha que vai incomodar o gaúcho, já tão acostumado ao frio e barro.
Nem mesmo as condições precárias de circulação afastaram os primeiros visitantes de fora dos piquetes, entusiasmados com o movimento.
Este ano o acampamento contará com uma feira do livro com seis estandes com obras relacionadas ao Rio Grande do Sul, além de uma nova churrascaria. A redução do número de piquetes ampliou o espaço para circulção de pedestres.
Até 20 de setembro, milhares de pessoas passarão pelo acampamento.
Mais informações em:

 www.portoalegre.rs.gov.br/acampamentofarroupilha

Netto quer mais Kikitos

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Foi ontem a apresentação de Netto e o domador de cavalos, no 36. Festival de Cinema de Gramado. O segundo filme sobre o General Antonio de Souza Netto, o proclamador da República Rio-Grandense, traz Werner Schünemann no papel principal e Tarcísio Filho como o Sargento Torres. Em 2001, Netto perde sua alma levou quatro Kikitos. A trilogia terminará com Netto e a princesa moura, inspirado na lenda da Teiniguá.
Tabajara Ruas, diretor e roteirista, diz que a figura do líder farrapo serve bem de base para fazer uma diversidade de comentários sobre a cultura do Sul.
Ás vésperas da Revolução Farroupilha, o oficial Netto, arregimenta tropas para enfrentar as forças imperiais. Um dos homens que quer ter ao lado é o sargento Torres, bravo índio que se encontra preso em um forte ermo. Para libertá-lo, Netto convoca escravos rebalados, entre eles o melhor ginete da fronteira, figura que se confunde com a lenda do Negrinho do Pastoreio.
Para o diretor Tabas, o curioso é que o personagem trágico mais popular de nossa cultura não é um gauchão, mas um negrinho escravo.
É torcer para que, tal em 2001, o general Netto ajude a levar mais uns Kikitos pra casa. 

Netto e o domador de cavalos

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

É nesta terça, dia 12, a estréia de Netto e o domador de cavalos, do escritor, diretor e roteirista Tabajara Ruas, no 36. Festival de Gramado, na serra gaúcha. O filme faz parte da trilogia sobre o histórico líder farrapo, iniciado em 2001 com Netto perde sua alma e que deve encerrar com Netto e a princesa moura.

A história se passa antes de Netto se tornar o  general revolucionário na luta contra o governo imperial. Às vésperas da Revolução Farroupilha, o oficial Netto descobre que um antigo parceiro das guerras do sul, o sargento Torres, está preso. Para libertá-lo, busca ajuda dos escravos rebelados, entre eles, o melhor ginete da fronteira, figura que se mistura à lenda do Negrinho do Pastoreio.

Novamente Werner Schünemman encarna o General Netto e volta a trabalhar com Tarcício Filho, que será o Sargento Torres. A trilha é de Vitor Ramil e teve locações no Taim.

08/08/08

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Neste data cabalística começa o 3.a Encantada da Canção Gaúcha. Não irei este ano, mas se alguém for e quiser comentar aqui, sinta-se à vontade para deixar suas impressões. No más, um bom final de semana a todos!

Patrimônio cultural vai a leilão

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Tchê, fiquei mais assustado que guri em cemitério quando li no jornal que no próximo dia 18, aqui em Pelotas, será leiloado o terreno da sede da União Gaúcha João Simões Lopes Neto. Fiquei de boca aberta, como burro que comeu urtiga e aposto que esta é a reação de todos. A União Gaúcha foi fundada em 1899 e presidida por Simões Lopes Neto de 1905 a 1909, muito antes de existir o MTG, em 1935. O mais chocante é que ela será leiloada por causa de um dívida de R$ 16 mil com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) entre 1999 e 2000.
A área de seis hectares na Avenida Ildefonso Simões Lopes está avaliada pela Justiça em R$ 360 mil.
Para Oscar Gress, presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), é lamentável que isso aconteça, pois a União Gaúcha é uma entidade renomada, de extrema importância para o Rio Grande do Sul.
Os advogados da entidade e a procuradoria de Pelotas entraram com dois recursos distintos para tentar salvar o patrimônio. Segundo os advogados da União Gaúcha a avaliação da área foi muito inferior ao R$ 1 milhão estimado pela diretoria. Os advogados da Prefeitura argumentam que a área foi doada na década de 50 para a entidadade sob a condição de que fosse devolvida ao município quando a União Gaúcha deixasse de existir como entidade tradicionalista.
Jamir Donini Rodrigues, maior domo da entidade, atribui parte da crise financeira à falta de renovação do quadro social, que hoje consta apenas de 600 filiados, sendo que apenas 80 pagam mensalidades de R$ 15 reais por mês. Os demais são isentos de pagamento. Para ele o momento é de trabalhar para evitar isso. Não se pode pensar em fechar a União Gaúcha por causa de R$ 16 mil. Que assim seja!

Santana da Boa Vista, terra de luta e fé

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Conhecer esses pagos gaúchos é uma coisa mui gratificante. Uma pequena cidade, encravada na serra das Encantadas, é uma agradável surpresa. Motivos não me faltam para dizer isso.
Já fazem alguns anos que eu e minha prenda vamos com nossos amigos acampar no verão nas margens do arroio Olaria, na localidade de Passo da Capela em Santana da Boa Vista. O acampamento se torna uma grande reunião de gaúchos de todas as querências: Santana da Boa Vista, Rio Grande, Porto Lucena, Canela, Caxias, Porto Alegre. Até o prefeito da cidade freqüenta nosso acampamento! Mas bah, que categoria! A d. Neli é a pessoa que tenta por respeito na turma, mas acaba desistindo por não alcançar sucesso.
Mas porque ir para Santana da Boa Vista? Buenas, é uma cidade agradabílissima, um povo pra lá de hospitaleiro e cheio de atrativos naturais que ainda se encontram quase inexplorados. Há diversos peraus (pedras altas e planas no topo) e parte das guaritas ficam no interior do município. No arroio Olaria há o balneário Passo da Capela, com área de camping e águas tranqüilas em meio à natureza. Para quem gosta de acampamento mais rústico, sem eletricidade e água, mas em um local de muita beleza, pode ir para  o Passo das Carretas, junto ao rio Camaquã. No caminho há a sede do Piquete Sobras de Guerra. Para quem não gosta de tanta aventura, mas que não abre mão de curtir a natureza, há o Parque Municipal Toca da Tigra, este com área para camping, casas para aluguel, restaurante, quadra para esportes e áreas de recreação infantil, arroio e trilhas. A estrada para chegar lá é um atrativo a parte, por ser bem íngreme. Pode-se avistar muitos animais nativos. Além desses há muitas outras atrações pelo interior, como o Rincão dos Dutra, por onde se pode alcançar a divisa com Pinheiro Machado através de balsa. É uma região rural, com construções típicas e beleza estonteante na serra das Encantadas. Por ali se chega às Minas do Camaquã, em Caçapava do Sul. Na divisa das duas cidades, do lado santanense, há a Pedra da Cruz. Imperdível!
Mas e a cidade? A cidade é pequena, mas muito agradável! A população é muito hospitaleira. Me sinto em casa quando estou lá! Com um pouco de sorte pode-se ouvir um dos causos do Juventino. Foi a cidade que Luiz Marenco escolheu para montar seu rancho.
Fora o Pingo e a Zulma, que são os  amigos que moram lá, o Roque, em Rio Grande, o Décio, em Canela, o Moacir, na  capital e a Solange, em Cristal, é em Santana que todos irmãos e suas familias se encontram. Eu e a Tatty somos os piolhos pegados que fomos carinhosamente adotados como parte da família da d. Neli. Já temos pouso certo na cidade.
Aproveita e vai lá ver o festival das Encantadas da Canção Gaúcha. Mas leva roupa, índio velho, porque  faz muito frio esta época do ano. Aposto que vais gostar!

Chimarrão

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Seguindo com a série de poesias crioulas sobre nossa bebida símbolo.

Chimarrão - João da Cunha Vargas

Velho porongo crioulo,
Te conheci no galpão,
Trazendo meu chimarrão
Com cheirinho de fumaça,
Bebida amarga da raça
Que adoça o meu coração.

Bomba de prata cravada,
Junto ao açude do pago,
Quanta china ou índio vago
Da água seu pensamento
De alegria, sofrimento,
De desengano ou afago.

Te vejo na lata de erva
Toda coberta de poeira,
Na mão da china faceira
Ou derredor do fogão,
Debruçado num tição
Ou recostado à chaleira.

Me acotovelo no joelho,
Me sento sobre o garrão
Ao pé do fogo de chão,
Vou repassando a memória
E não encontro na história
Quem te inventou, chimarrão.

Foi índio de pêlo duro,
Quando pisou neste pago,
Louco pra tomar um trago,
Trazia seca a garganta,
Provando a folha da planta,
Foi quem te fez mate-amargo.

Já foi bebida selvagem
E hoje és tradição,
E só tu, meu chimarrão,
Que o gaúcho não despreza
Porque és o livro de reza
Que rezo junto ao fogão.

Embora frio ou lavado,
Ou que teu topete desande,
Minha alegria se espande
Ao ver-te assim meu troféu,
Quem te inventou foi pra o céu
E te deixou para o Rio Grande.