Arquivado em outubro de 2008

Mais ditos gaúchos

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A la fresca que este ano tá passando mais ligeiro que enterro de bexiguento. Como comecei o mês com uns ditos, vamos terminar com outros.

  • Mais assanhado que lambari de sanga.
  • Mais apressado que tatu prá toca.
  • Mais mimoso que gato de solteirona.
  • Mais feio do que talho na bunda.
  • Mais sem vergonha que petiço baio.
  • Mais fedorento do que ninho de urubu.
  • Mais resbaloso que muçum fora d’água.
  • Mais perdido que cego em tiroteio.
  • Mais cheio que barriga de afogado.
  • Mais fechado que porteira de invernada.
  • Mais grudado que bosta em tamanco.
  • Mais frouxo que palanque em banhado.

Hasta novembro!

Cruz Alta

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O vento tá forte hoje e coloquei Nei Lisboa para ouvir, “Telhados de Paris“. Tal como o vento, viajei no tempo e espaço e fui a Cruz Alta, onde morei entre 1988 e 1992, para trabalhar na APROCRUZ, o núcleo formador da Unicruz. Lá conheci pessoas que nunca esqueci, quando vim para Rio Grande novamente pra  trabalhar na UFPel. De certa forma, vieram comigo. Todos com quem cruzei por lá foram marcantes, cada um do seu jeito. Lembro de todos com carinho e também de Cruz Alta. Morei apenas a duas quadras da casa do Erico Verissimo. Mas que tal, tchê! Os prédios da cidade evocam os personagens mais famosos do filho ilustre. Prédios antigos e bonitos fazem parte da arquitetura local. As duas praças da cidade remetem a Santa Fé, cidade fictícia de “O tempo e o vento“. Quando cheguei lá, ainda havia o avião na rodoviária. O monumento de Fátima, os quartéis, a Coxilha Nativista nas noites frias de inverno, a Fenatrigo, a Casa de Cultura Justino Martins, o campus na Parada Benito… são muitas coisas legais para conhecer em Cruz Alta da Panelinha.
Algumas pessoas que foram marcantes: Magda, Cuca, Solange, Marcos, Alberi, Gilnei, Chéia, Medina, Ângela,  Iracema, Leonilda, e outras tantas, mas tantas que eles nem imaginam o quanto foram especiais para mim. Vocês e os trigais ao vento em Cruz Alta são inesquecíveis.
(Infelizmente quando tirei estas fotos, a Casa do Erico Verissimo estava em reforma para a comemoração do seu centenário).

Porto Lucena

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Localizada na região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul, debruçada sobre o rio Uruguai, está Porto Lucena. Muitos gaúchos não ouviram falar desta pequena cidade, que faz fronteira com a Argentina e que é conhecida como a “Terra da Hospitalidade e das Frutas Tropicais“.  Posso atestar os dois títulos da cidade: o povo é prá lá de hospitaleiro, sempre com uma cuia para oferecer  um amargo; frutas há por todos os lados. As ruas são arborizadas com mangueiras e pelas estradas do interior árvores frutíferas diversas são comuns. Um bom lugar para fugir do estresse! Costumo ir duas vezes por ano para lá. Fica bem longe de Rio Grande, onde moro, e por causa disso cruzo o RS inteiro. Minha prenda é de lá e por isso já é um bom motivo para ir a Porto Lucena.  Além disso, é um bom lugar para fazer trilhas e ecoturismo.

Santana da Boa Vista

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Quando escrevi sobre Santana da Boa Vista, acabei não colocando nenhuma foto. Buenas, vou deixar algumas aqui para matar a curiosidade de quem quer conhecer esta simpática cidade localizada na Serra das Encantadas. Santana, para muitos chamada carinhosamente por Santaninha, tem um povo muito simpático e é o local onde normalmente passamos o carnaval, acampados nas margens do arroio Olaria, no Passo da Capela.

Oração do gaúcho

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e com licença do patrão Celestial. Vou chegando, enquanto cevo o amargo de minhas confidências, porque ao romper da madrugada e ao descambar do sol, preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu, a força e a coragem para o entrevero do dia que passa. Eu bem sei que qualquer guasca, bem pilchado, de faca, rebenque e esporas, não se afirma nos arreios da vida, se não se estriba na proteção do Céu. Ouve, Patrão Celeste, a oração que te faço ao romper da madrugada e ao descambar do Sol: “Tomara que todo o mundo seja como irmão! Ajuda-me a perdoar as afrontas e não fazer aos outros o que não quero para mim”. Perdoa-me, Senhor, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana, de quando em vez, quase sem querer, eu me solto porteira a fora… Êta potrilho chucro, renegado e caborteiro… mas eu te garanto, meu Senhor, quero ser bom e direito! Ajuda-me, Virgem Maria, Primeira Prenda do Céu. Socorre-me, São Pedro, Capataz da Estância Gaúcha. Pra fim de conversa, vou dizer meu Deus, mas somente para ti, que tua vontade leva a minha de cabresto pra todo o sempre e até a querência do Céu. Amém.

(D. Luiz Felipe de Nadal, bispo de Uruguaiana)

O Chimarrão

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Mate amargo (sem açúcar) que se toma numa cuia de porongo por uma bomba de metal. Atribue-se ao chimarrão propriedades desintoxicantes, particularmente eficazes numa alimentação rica em carnes.

A tradição do chimarrão é antiga. Soldados espanhóis aportaram em Cuba, foram ao México “capturar” os conhecimentos das civilzações Maia e Azteca, e em 1536 chegaram à foz do Rio Paraguay. No local, impressionados com a fertilidade da terra às margens do rio, fundaram a primeira cidade da América Latina, Assunción del Paraguay.

Os desbravadores, nômades por natureza, com saudades de casa e longe de suas mulheres, estavam acostumados a grandes “borracheras” - porres memoráveis que muitas vezes duravam a noite toda. No dia seguinte, acordavam com uma ressaca proporcional. Os soldados observaram que tomando o estranho chá de ervas utilizado pelos índios Guarany o dia seguinte ficava bem melhor e a ressaca sumia por completo. Assim, o chimarrão começou a ser transportado pelo Rio Grande na garupa dos soldados espanhóis.

As margens do Rio Paraguay guardavam uma floresta de taquaras, que eram cortadas pelos soldados na forma de copo. A bomba de chimarrão que se conhece hoje também era feita com um pequeno cano dessas taquaras, com alguns furos na parte inferior e aberta em cima.

Fonte: Porto, Lucia. Cuia de cristal ameaça a tradição.

 

Cyro Martins e o gaúcho a pé

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

 Nascido em Quaraí, em 05 de agosto de 1908, Cyro Martins começou a escrever aos 15 anos. Eram artigos políticos, oposicionistas, libertadores e contos regionalistas.

Formou-se em Medicina em 1933. No ano seguinte, publicou seu primeiro livro: “Campo Fora”. Nesse livro, recolhi as experiências infantis e sobre elas trabalhei com a minha fantasia de escritor. Em Quaraí, o balcão da venda de seu Bilo (seu pai) foi o que ele chamou de o grande mirante de onde via desfilar a decadência do gaúcho. A fantasia de “Campo Fora” deixa lugar para a amarga realidade de uma gente sem estímulo. Cyro escreve, então, “Sem Rumo”, sobre o gaúcho a pé, expressão que usou pela primeira vez em 1935 e que serviu para definir a trilogoia que se formou depois com “Porteira Fechada” e “Estrada Nova”.

Cyro Martins disse certa vez que não ser um escritor de carreira. “Permaneço na condição de escritor bissexto, pois toda a minha literatura é feita no rabo das horas. O melhor das minhas possibilidades intelectuais foi consagrado à Medicina, em especial à Psiquiatria e à Psicanálise. mas esta afirmação não significa menos ternura pelo que realizei no plano da ficção literária.”

Sobre a importância da literatura, disse que “afinou minha sensibildiade para a pesquisa da alma humana, sobretudo porque nunca fiz regionalismo no sentido pitoresco e sim para buscar o que havia de universal naquele homem singular que era o gaúcho a pé.”

Ao lembrarmos da obra e vida de Cyro Martins, é quase impossível não pensar também em Dyonélio Machado. Também natural de Quaraí, Dyonélio soube trabalhar com maestria a relação entre a psiquiatria e a literatura, que são dois importantes motores para o profundo conhecimento da alma humana. Escritores e médicos, Cyro e Dyonélio, além de conterrâneos, foram dois expoentes da literatura gaúcha e brasileira.

Ditos gaúchos

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Vamos começar o mês com alguns ditos:

  • Atravessado como lagarto no trilho.
  • Branco que nem vela de igreja.
  • Mais ortodoxo que pastilha Valda.
  • Se vira como minhoca na cinza.
  • Mais preso que boi na canga.
  • Mais viajado que cachorro de cigano.
  • Mais comprido que explicação de bêbado.
  • Mais enredado que laço de guri.
  • Mais nervoso que mascate multado.
  • Mais pelado que sovaco de santo.

Buenas, por hoje é só!