Nascido em Quaraí, em 05 de agosto de 1908, Cyro Martins começou a escrever aos 15 anos. Eram artigos políticos, oposicionistas, libertadores e contos regionalistas.
Formou-se em Medicina em 1933. No ano seguinte, publicou seu primeiro livro: “Campo Fora”. Nesse livro, recolhi as experiências infantis e sobre elas trabalhei com a minha fantasia de escritor. Em Quaraí, o balcão da venda de seu Bilo (seu pai) foi o que ele chamou de o grande mirante de onde via desfilar a decadência do gaúcho. A fantasia de “Campo Fora” deixa lugar para a amarga realidade de uma gente sem estímulo. Cyro escreve, então, “Sem Rumo”, sobre o gaúcho a pé, expressão que usou pela primeira vez em 1935 e que serviu para definir a trilogoia que se formou depois com “Porteira Fechada” e “Estrada Nova”.
Cyro Martins disse certa vez que não ser um escritor de carreira. “Permaneço na condição de escritor bissexto, pois toda a minha literatura é feita no rabo das horas. O melhor das minhas possibilidades intelectuais foi consagrado à Medicina, em especial à Psiquiatria e à Psicanálise. mas esta afirmação não significa menos ternura pelo que realizei no plano da ficção literária.”
Sobre a importância da literatura, disse que “afinou minha sensibildiade para a pesquisa da alma humana, sobretudo porque nunca fiz regionalismo no sentido pitoresco e sim para buscar o que havia de universal naquele homem singular que era o gaúcho a pé.”
Ao lembrarmos da obra e vida de Cyro Martins, é quase impossível não pensar também em Dyonélio Machado. Também natural de Quaraí, Dyonélio soube trabalhar com maestria a relação entre a psiquiatria e a literatura, que são dois importantes motores para o profundo conhecimento da alma humana. Escritores e médicos, Cyro e Dyonélio, além de conterrâneos, foram dois expoentes da literatura gaúcha e brasileira.