Arquivado em dezembro de 2008

Hasta luego, tchê!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Vou pegar meus peçuelos e tomar o rumo do pampa. Estou entrando em férias e volto em meados de janeiro. Nesse intervalo esse rancho ficará meio abandonado, mas voltarei. Agora vou preparar a mala de garupa, que a troteada será grande. Hasta luego e que o Patrão Celestial abençõe a todos neste Natal e novo ano.

Ano novo

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A força da sugestão!… que extraordinária influência impõe ela sobre os homens, que em ambos os hemisférios hauriram os prejuízos, preconceitos e tendências!
Está a bater a meia noite de dezembro, a derradeira, a que vai marcar a passagem de uma época falaz para outra que o será igualmente.
Mas, a radiosa esperança não quer que assim seja e ei-la bordando para amanhã, a deliciosa teia de projetos.
- Vou, diz este, vou mudar de vida; vou emendar-me, dedicar-me inteiramente ao meu trabalho; assim é preciso, pois o tempo voa e preciso é começar o dia consagrado para que perdure o esforço…
- Como dói, isto? regouga outro; todo ano levei ao jugo, preso, economizando, cuidando, e nada aproveitei; todo o meu esforço foi vão, todo meu zelo inútil. Para que, afinal?…
Enfim, vamos a ver este, agora, como será!…
E este contraste ressalta em todas as faces humanas, espelhando os mil motivos que as distendem em aspecto vário.
A morte levou pais e levou filhos; o desastre inutilizou corpos, criou inválidos; os negócios fizeram pobres, derrocaram fortunas; e do mesmo passo corações estuaram de amor; anjos nasceram nos lares, golpes de fortuna engendraram triunfadores, ambições remontaram ao seu posto.
Em tudo isto, que é nada, para o infinito, desejar que é insondável, que de magia contem!
Pensemos em nós que aqui estamos, em torno da mesa alegre, construindo nos nossos mirabolantes castelos fantásticos; e pensemos - pensemos, humanos -! nas criaturas que além jazem nas cadeias; nos que estertoram agonias; nos que montam guardas; nos que navegam fustigados do temporal, nos que vagam no fundo das minas, nos que, a esta mesma hora, estão rilhando os dentes, odientos…
É nessa infinita face humana, é nela que, entre o último minuto de hoje e o primeiro minuto de amanhã, é nela que se estampa o mesmo infinito de desejar!
Mas a noite transcorrerá, como sempre, a mesma, ponteada de cintilações; a madrugada despontará igual nos seus rubores, o sol ascenderá na mesma estonteante vertigem; os males, os desfalecimentos, a dor não transigirá…
Mas… a sugestão é divina: a esperança é a eterna alavanca: iludamo-nos, sejamos felizes!…
- Bons anos! Bons anos! Bons anos!…

João do Sul*
A Opinião Pública, Pelotas, 31 de dezembro de 1913.

* Pseudônimo usado por João Simões Lopes Neto.

Viagem a Vespasiano Corrêa (parte 3)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

De Vespasiano Corrêa  a Guaporé
Depois de uma breve parada em Vespasiano Corrêa, seguimos viagem para Guaporé, apenas 35km depois. Passa-se por Dois Lajeados no caminho. A estrada é boa e a paisagem deslumbrante. Pouco antes de chegar à cidade, há um belvedere de onde se tem uma vista geral da serra gaúcha. Vale a parada!
Guaporé é uma agradável surpresa, uma cidade com qualidade de vida, ruas largas e limpas, pessoas muito bonitas, educadase hospitaleiras e que descobriu sua vocação. A cidade é o maior polo de lingeries e jóias folheadas do sul do Brasil. Creio que a mais feminina das cidades gaúchas e a mais sensual também.
Turisticamente é uma cidade com muitos atrativos: Ferrovia do Trigo, o Cristo Redentor, com 13m de altura, mais 7m do pedestal, que fica na montanha mais alta da cidade, com 741m de altura, de onde se tem uma visão panorâmica da cidade. Para quem gosta de velocidade, há o Autódromo Internacional Nelson Luiz Barros, que também tem um kartódromo. A Igreja Matriz Santo Antônio, em estilo gótico chama atenção, em frente a praça central. Quem quer desfrutar das compras, há o Centro Comercial Guaporé, na entrada da cidade.  No interior, muitas paisagens bucólicas e convidativas, com rios, cascatas e pontes.
A culinária guaporense é das melhores e junto com um bom vinho é convite à gula, afinal Guaporé faz parte da Região Turística da Uva e Vinho e também faz parte da Rota das Gemas e Jóias. Vai lá, tchê!

Assim terminou o nosso feriadão. De Guaporé, eu e a Tatty retornamos para Porto Alegre e depois Rio Grande, pois tínhamos compromisso na segunda. O Roque e a Flávia, em férias, continuaram a viagem e foram a Serafina Corrêa, Antônio Prado, Nova Roma do Sul, Nova Prata (do internacionalmente conhecido Hélio dos Passos), entre outras belíssimas cidades da serra antes de retornarem.

Viagem a Vespasiano Corrêa (parte 2)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

De Lajeado a Vespasiano Corrêa 
Depois de uma boa noite de descanso e um bom café da manhã, partimos rumo a Vespasiano Corrêa, atrás do Viaduto 13. Diferente do dia anterior, que viajamos com chuva e céu nublado, o dia amanhecera com sol e algumas nuvens. De Lajeado a Muçum, a Princesa das Pontes, são apenas 42 quilômetros, sendo que se passa por Arroio do Meio e Encantado em meio a belas paisagens. Muçum é pequena mas muito, interessante. Logo de chegada chama atenção o enorme viaduto que cruza toda extensão da cidade. Na sua extremidade está o Túnel 1, com 1170m. O viaduto fica acima de uma ponte que passa pelo rio que banha a região. Como não tem proteção nas laterais, apenas uns pequenos refúgios, caso o trem apareça, é bom tomar bastante cuidado ao andar por este viaduto. Mas se for a Muçum, tem que subir nele!
Após pedirmos informação para os moradores e comprarmos um lanche para o almoço, saímos costeando o rio Guaporé em direção ao V13. A estrada, de chão, é boa e bastante pitoresca, pois de um lado se vê o rio e de outro a ferrovia, cortada por viadutos e túneis. Com certeza trata-se de uma das mais bonitas ferrovias do Brasil. Pena que não haja um trem de passageiros, seria um sucesso! 
Além do rio e da ferrovia, há inúmeras propriedades rurais, como uma com cerca de pedra e uma figueira centenária. São 21 quilômetros de Muçum ao V13, já no município de Vespasiano Corrêa. 
Entre os diversos viadutos, um que chama bastante atenção é o “Mula Preta”, com 98m de altura e por não ser em linha reta. Sua estrutura é toda metálica e pode-se ver por entre os dormentes. A la fresca que subir nele não é para qualquer vivente!
Mais um pouco e se chega no V13. Tchê, só vendo! O bicho é grande mesmo! São 509m de comprimento e 143m de altura. O V13 foi inaugurado em 19 de agosto de 1978, sendo o mais alto das Américas e o segundo mais alto no mundo.
Buenas, mas ir até lá e não subir no viaduto, convenhamos, não tem a mínima graça. A subida é fácil, pois pode-se ir de carro na montanha e depois caminha-se uim pouco até o leito da estrada de ferro. Em cada ponta tem um túnel. A visão lá de cima é linda! No meio dos trilhos não se tem idéia da altura, mas quando se chega na borda… É alto! Claro que subir no viaduto e não entrar no túnel também não tem a mínima graça. Vivente, se tu tens medo do escuro, fica longe. Não consegue-se ver absolutamente nada no interior e tão pouco se ouve algo também. Silêncio e escuridão  total. Pra piorar a situação, uma das lanternas que levamos, estragou. Um detalhe: só se consegue uma foto completa do V13 do outro lado do rio, pois de onde se chega a ele é impossível fotografá-lo por inteiro.
Depois de uma longa caminhada, luz no fim do túnel. Buenas, luz até que era, mas não era o fim e sim o meio. Há umas “janelas” no meio da montanha, que ilumina e areja o túnel. A visão lá de cima não pode ser mais bonita. O rio Guaporé embaixo, uma cascata à direita e uma vegetação bem variada. Como o túnel é mais comprido que putiada de gago resolvemos voltar, pois não sabíamos quanto teríamos que andar até a outra extremidade.  Mas a estas alturas tu deves estar te perguntando: e o trem? É, infelizmente não tivemos a felicidade de ver um lá em cima.
Saímos e pegamos uma estrada alternativa para Vespasiano Corrêa, por cima da serra, não precisando retornar a Muçum. Do Viaduto 13 ao centro de Vespasiano Corrêa por esta estrada são apenas 11km. A paisagem impressiona.  Chegamos na cidade em plena Expovespa. Como toda cidade da serra, a limpeza das ruas e as casas com belos jardins chama atenção.

Ferrovia do Trigo
A Ferrovia do Trigo é uma das mais belas ferrovias do Brasil, possuindo em sua extensão, que inicia em Roca Sales até Casca, 32 túneis e 23 viadutos. Destaca-se como a maior obra da ferrovia, o V13, o maior viaduto das Américas com 143 metros de altura e 509 metros de extensão. O Mula Preta, com estrutura “nua”, 98m de altura e em curva também impõe respeito. No município de Dois Lajeados, há o viaduto do Pesseguinho. A ferrovia possui ainda um túnel impressionante com 2.098 metros. Muito visitada por sua beleza, a ferrovia também chama atenção pela natureza exuberante no seu entorno. Onde estão as autoridades ou iniciativa privada que não coloca um trem de turismo lá? Seria um sucesso, com toda certeza!

O dia 14 foi em Guaporé. Contarei noutra ocasião.

Viagem a Vespasiano Corrêa (parte 1)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

De Rio Grande a Lajeado
No feriadão do dia 12 de outubro do ano passado, resolvemos ir conhecer a impressionante Ferrovia do Trigo e, principalmente, o Viaduto 13, o maior das Américas e o segundo maior do mundo. A idéia de ir até lá veio após vermos o programa Rota 36 (atual Estilo Viagem) na TVCOM.
Chovia na manhã daquele dia e a viagem era bem longa, tanto que resolvemos fazer uma escala em Lajeado para dormir. Por isso mesmo, a viagem prometia muitas paisagens bonitas. Saímos de Rio Grande às 8:30hs, passamos por Pelotas e Canguçu, pela BR 392. Mais adiante pegamos a BR 471 em direção a Encruzilhada do Sul. Logo após cruzar o rio Camaquã, tivemos que pegar um desvio por uma estrada de chão, já que neste trecho a BR está ainda em construção. Com a chuva e o chão escorregadio, sofremos um pequeno acidente, graças a Deus sem maiores conseqüências. O mal tempo não permitiu que desfrutássemos direito da belíssima paisagem dos vinhedos de Encruzilhada do Sul. A próxima parada, para o almoço, foi em Pantano Grande, quando a chuva começou a dar uma trégua e começaram a aparecer os primeiros raios de sol. Neste ponto já tínhamos andado 303km.
Próxima parada: Rio Pardo. Como era feriado, a cidade estava deserta. Para nossa felicidade, o Centro Regional de Cultura estava aberto e pudemos visitar, com bastante calma, o belíssimo prédio, que era para ser um hospital e acabou sendo uma escola militar, onde estudaram diversos políticos brasileiros, inclusive Getúlio Vargas. Depois fomos conhecer alguns dos muitos pontos turísticos desta que é uma das mais antigas cidades do RS e que tem muita história.
Santa Cruz do Sul era o próximo destino. Chegamos na cidade em plena Oktoberfest. O que mais impressionou na cidade foi que, apesar do enorme número de turistas, a limpeza das ruas era um exemplo. Santa Cruz é uma cidade muito bonita, com muitas indústrias e um povo bastante hospitaleiro. Sem dúvida o que mais impressiona na cidade é a altura e beleza da Catedral São João Batista. Destaque para o belíssimo lago com chafariz na praça Getúlio Vargas e o túnel verde de tipuanas da Av. Marechal Floriano.
Mais de 100km ainda restavam até chegar a Lajeado, onde terminamos nosso primeiro dia de viagem. Pena que ficamos apenas a noite em Lajeado, mas deu para ter idéia da cidade, que é muito desenvolvida. O Unishopping é visita obrigatória pela variedade e qualidade de suas lojas. Lajeado tem muito mais e pretendemos voltar lá em outra ocasião.
Buenas, o dia 13 eu conto na semana que vem. :-)

Inter, mais Internacional

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Parabéns a todos nós Colorados, campeões da Copa Sul-Americana 2008, o único time brasileiro com todos os títulos Internacionais possíveis. Inter, 38 vezes Campeão gaúcho, Tricampeão brasileiro invicto, Campeão da Copa do Brasil, Campeão da Libertadores da América, Campeão do Mundo Fifa, Campeão da Recopa (Tríplice Coroa), Campeão Dubai Cup, Campeão Copa Sul-Americana. Internacional, o único clube brasileiro campeão de tudo!

Mateando

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Glaucus Saraiva

Palmeio o velho porongo,
Derramo a erva com jeito,
Encosto a cuia no peito
Batendo a erva prá um lado;
Com os quatro dedos curvados
Formo um topete bem feito.
Com um pouquinho de água morna
Bem devagar despejado,
Tenho o amargo ajeitado
Que ponho a um canto prá inchar
E espero a água esquentar
Pitando o baio sovado.
A pava chiou no fogo
Encho a cuia que promete;
A espuma se arremete
Bem prá cima, borbulhando,
E acariciante, beijando,
Branquela todo o topete.
Agarro a bomba de prata,
Tapo o bocal com o dedão,
E calço o bojo bem no chão
Da cuia e vou destapando
A bomba que vai chupando
Um pouco do chimarrão.
Derramo outro pouco d’água
Para aumentar o calor…
E o mate confortador
Vou sorvendo em trago largo,
Pois me saiu um amargo
Despachado e roncador…