De Lajeado a Vespasiano Corrêa
Depois de uma boa noite de descanso e um bom café da manhã, partimos rumo a Vespasiano Corrêa, atrás do Viaduto 13. Diferente do dia anterior, que viajamos com chuva e céu nublado, o dia amanhecera com sol e algumas nuvens. De Lajeado a Muçum, a Princesa das Pontes, são apenas 42 quilômetros, sendo que se passa por Arroio do Meio e Encantado em meio a belas paisagens. Muçum é pequena mas muito, interessante. Logo de chegada chama atenção o enorme viaduto que cruza toda extensão da cidade. Na sua extremidade está o Túnel 1, com 1170m. O viaduto fica acima de uma ponte que passa pelo rio que banha a região. Como não tem proteção nas laterais, apenas uns pequenos refúgios, caso o trem apareça, é bom tomar bastante cuidado ao andar por este viaduto. Mas se for a Muçum, tem que subir nele!
Após pedirmos informação para os moradores e comprarmos um lanche para o almoço, saímos costeando o rio Guaporé em direção ao V13. A estrada, de chão, é boa e bastante pitoresca, pois de um lado se vê o rio e de outro a ferrovia, cortada por viadutos e túneis. Com certeza trata-se de uma das mais bonitas ferrovias do Brasil. Pena que não haja um trem de passageiros, seria um sucesso!
Além do rio e da ferrovia, há inúmeras propriedades rurais, como uma com cerca de pedra e uma figueira centenária. São 21 quilômetros de Muçum ao V13, já no município de Vespasiano Corrêa.
Entre os diversos viadutos, um que chama bastante atenção é o “Mula Preta”, com 98m de altura e por não ser em linha reta. Sua estrutura é toda metálica e pode-se ver por entre os dormentes. A la fresca que subir nele não é para qualquer vivente!
Mais um pouco e se chega no V13. Tchê, só vendo! O bicho é grande mesmo! São 509m de comprimento e 143m de altura. O V13 foi inaugurado em 19 de agosto de 1978, sendo o mais alto das Américas e o segundo mais alto no mundo.
Buenas, mas ir até lá e não subir no viaduto, convenhamos, não tem a mínima graça. A subida é fácil, pois pode-se ir de carro na montanha e depois caminha-se uim pouco até o leito da estrada de ferro. Em cada ponta tem um túnel. A visão lá de cima é linda! No meio dos trilhos não se tem idéia da altura, mas quando se chega na borda… É alto! Claro que subir no viaduto e não entrar no túnel também não tem a mínima graça. Vivente, se tu tens medo do escuro, fica longe. Não consegue-se ver absolutamente nada no interior e tão pouco se ouve algo também. Silêncio e escuridão total. Pra piorar a situação, uma das lanternas que levamos, estragou. Um detalhe: só se consegue uma foto completa do V13 do outro lado do rio, pois de onde se chega a ele é impossível fotografá-lo por inteiro.
Depois de uma longa caminhada, luz no fim do túnel. Buenas, luz até que era, mas não era o fim e sim o meio. Há umas “janelas” no meio da montanha, que ilumina e areja o túnel. A visão lá de cima não pode ser mais bonita. O rio Guaporé embaixo, uma cascata à direita e uma vegetação bem variada. Como o túnel é mais comprido que putiada de gago resolvemos voltar, pois não sabíamos quanto teríamos que andar até a outra extremidade. Mas a estas alturas tu deves estar te perguntando: e o trem? É, infelizmente não tivemos a felicidade de ver um lá em cima.
Saímos e pegamos uma estrada alternativa para Vespasiano Corrêa, por cima da serra, não precisando retornar a Muçum. Do Viaduto 13 ao centro de Vespasiano Corrêa por esta estrada são apenas 11km. A paisagem impressiona. Chegamos na cidade em plena Expovespa. Como toda cidade da serra, a limpeza das ruas e as casas com belos jardins chama atenção.
Ferrovia do Trigo
A Ferrovia do Trigo é uma das mais belas ferrovias do Brasil, possuindo em sua extensão, que inicia em Roca Sales até Casca, 32 túneis e 23 viadutos. Destaca-se como a maior obra da ferrovia, o V13, o maior viaduto das Américas com 143 metros de altura e 509 metros de extensão. O Mula Preta, com estrutura “nua”, 98m de altura e em curva também impõe respeito. No município de Dois Lajeados, há o viaduto do Pesseguinho. A ferrovia possui ainda um túnel impressionante com 2.098 metros. Muito visitada por sua beleza, a ferrovia também chama atenção pela natureza exuberante no seu entorno. Onde estão as autoridades ou iniciativa privada que não coloca um trem de turismo lá? Seria um sucesso, com toda certeza!
O dia 14 foi em Guaporé. Contarei noutra ocasião.