Jaguarão, Cidade Heróica
terça-feira, 19 de maio de 2009
Tchê, continuando sobre Jaguarão, tenho muito boas recordações desta cidade. Lembro da primeira vez que lá cheguei, a ponte, imponente, me chamou atenção. Atravessá-la era como um mistério: um outro país, outro idioma, outros costumes, outra moeda, outras leis. Continua sendo esse mistério. Para muitos, apenas a oportunidade de comprar nos free shops uruguaios, para mim, sempre algo mais. Vejo de maneira diferente. Cruzar o rio ainda é mágico.
Fundada em 6 de julho de 1832, Jaguarão tem como data mais importante o dia 27 de janeiro, nome dado a uma das mais importantes ruas da cidade. O motivo é que em 1865, uma força composta por dois corpos da Guarda Nacional resistiu durante 48 horas a uma tentativa de invasão do território brasileiro por mais de 1,5 mil homens do exército uruguaio. Sitiada e em desvantagem bélica, a guarnição comandada pelo coronel Manoel Pereira Vargas acabou vencendo o inimigo no cansaço. Os moradores, munidos até com ferramentas e utensílios domésticos ajudaram a combater e repelir os caudilhos estrangeiros. Daí ganhou o título de “Cidade Heróica”.
A imponente ponte foi pagamento por uma dívida assumida no século XIX. Naquele tempo, o general argentino Juan Manoel de Rosas ameaçava a liberdade do recém-emancipado Uruguai. Para auxiliar o país amigo, vários empréstimos foram concedidos por Dom Pedro II. O Uruguai salvou-se. Em compensação, devia 5 milhões de pesos em 1919. Para acertar as contas, as duas nações fecharam o “Tratado da Dívida”. Depois de três anos de obras, em 30 de dezembro de 1930, a dívida virou ponte e Jaguarão se ligou a Rio Branco.
A cidade, que teve seu auge econômico entre fins do século XIX e início do século XX, possui mais de 800 prédios desta época, a maioria muito bem conservada. A riqueza dos detalhes construtivos, como as portas de madeira entalhadas a mão, dão uma ideia da riqueza que foi o seu apogeu. Passear pelas ruas tranquilas e limpas da cidade é uma aula de história. Jaguarão foi a primeira Câmara a aderir a República Rio-Grandense e fica localizada a meio caminho entre Porto Alegre e Montevidéu, sendo o caminho mais rápido para se chegar ao Uruguai e Argentina.
Alguns atrativos imperdíveis entre tantos, são: Ponte Internacional Mauá, o Museu Carlos Barbosa Gonçalves, as igrejas Matriz do Divino Espírito Santo e Imaculada Conceição, a Casa de Cultura, a Rua XV de Novembro, a rua das portas entalhadas, o Mercado Público Municipal, Theatro Esperança, as Ruínas da Enfermaria, o Cerro da Pólvora, a praça Comendador Azevedo, feita para se aproveitar nos dias frios do inverno, com um mate bem cevado… Caminhar na beira do rio Jaguarão é uma atração a parte.
Depois que tu veres tudo isso, aí tu podes cruzar a ponte e ir às compras no Uruguai! Rio Branco e Cuchilla merecem ser visitadas também. Mas não te detem apenas nas compras. Há muita coisa buena do outro lado do rio. Los hermanos, assim como os jaguarenses, sabem receber muito bem os turistas e visitantes.