Rio Grande é uma cidade bonita. Mais que bonita, é uma cidade muito bonita. Os atrativos são muitos, desde os naturais, aos históricos e culturais. Rio Grande se debruça sobre o mar e a Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim. É uma situação geográfica privilegiada, afinal temos praias de oceano e de água doce. Temos ilhas, algumas com rico patrimônio histórico e belezas naturais de grande valor. Há a Praia do Cassino, a maior do mundo, com seus molhes, dois gigantescos braços de pedra, abertos aos que chegam na cidade pelo porto e local de lazer para moradores e turistas. É ponto turístico dos mais lembrados do RS.
Outro atrativo é a Reserva Ecológica do Taim, lugar de descanso para animais que viajam através do mundo para ali se reproduzirem, descansarem e se alimentarem. Próximo da reserva, as tranquilas águas da Lagoa Mirim convidam para um banho na Praia da Capilha.
Além destes, há muitos prédios históricos na cidade, afinal, é a mais antiga do Estado. Há a Prefeitura, o Quartel General, a Catedral de São Pedro, entre tantas outras igrejas de rara beleza, o prédio da Alfândega, os armazéns do Porto Velho, o Mercado Público, a Bibliotheca Rio-Grandense, o conjunto da Rheingantz, o monumento-túmulo a Bento Gonçalves, grande herói farroupilha, entre tantos monumentos. Rio Grande tem muitos monumentos. Tem praças lindas, como a Tamandaré e Xavier Ferreira. Decididamente, a minha cidade é muito bonita. Sou suspeito em falar, afinal, é a minha cidade. A que nasci e escolhi para viver. O riograndino é bastante hospitaleiro e recebe muito bem os que vem de fora. Agora, tem um problema que me incomoda e sou obrigado a escrever a respeito. Pensei muito antes. Embora isso possa doer na própria carne, se queremos ter uma cidade turística, em que as pessoas tenham prazer de vir pra cá, é necessário imediatamente tomar uma atitude: ser mais caprichoso. Apesar de todas as coisas boas que há em Rio Grande, a população é MUITO relaxada, descuidada. O clima daqui é propício ao vento. Nos dias ventosos o lixo voa pelas ruas da cidade incomodando quem passa. Não há um terreno baldio em que o riograndino não veja como um depósito de lixo. Garrafas pet e sacolinhas plástica são vistas por todos os cantos, além de todo tipo de imundície. Esse lixo é reciclável e há na cidade recolhimento seletivo uma vez por semana, além do recolhimento normal de segunda a sábado. Mas, por ironia do destino, o riograndino não faz a sua parte. Bah, e isso não é só nos bairros, não! Vai desde o mais humilde morador à elegante madame, circulando pelas ruas em seu New Civic e jogando seus dejetos pela janela do carro.
Tchê, me dói ter que fazer este triste retrato de minha cidade, mas acontece que cansei! Me enojo de sair a caminhar e tropeçar no lixo dos outros. O pessoal é tão porco que, mesmo com uma lixeira por perto, eles jogam lixo no chão! A cidade é mais suja que pau de galinheiro! Vamos mudar indiada! Vamos dar valor à natureza e ao pago em que se vive!