Arquivado em dezembro de 2009

Até 2010!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Gaúchos e gaúchas de todos os rincões desse mundão, muchas gracias pelas visitas, pelo incentivo, pelos comentários, enfim pelo apoio ao Peçuelos. Por alguns dias este rancho virtual estará largado. Estou entrando em férias e vamos dar uma troteada por este Rio Grande afora.
Tenho material pra bastante artigos, viagens que fizemos este ano que, por um motivo ou outro, ainda não coloquei aqui, como pela Costa Doce, pelos Campos Neutrais, pelo interior de Pelotas e Morro Redondo entre outras.
Desejo a todos um 2010 de muito amor, saúde, igualdade, fraternidade e paz!
Hasta luego, meus amigos!

 

Do Norte aos Ausentes, uma viagem aos Campos de Cima da Serra (parte 4)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Depois do dia cansativo e frio, nada como a noite quentinha na Pousada Fazenda Aparados da Serra. Uma das coisas legais do lugar é que não há televisão nos quartos nem na sala de estar e de refeições. Só numa pequena salinha, pra quem não pode sobreviver sem uma. Com o clima frio do lugar, seria um convite pra maioria ficar nos quartos, embaixo das cobertas se entediando com TV. Com isso, vai todo mundo pra sala, na beira da lareira, conversar, tomar chimarrão e curtir o clima. Há pessoas de diversos locais, o que rende boas rodas de conversa.
Buenas, mas o terceiro dia de nossa viagem não amanheceu dos melhores. Chuviscava, a cerração era forte e a temperatura baixa, mas como viemos nos aventurar, nos vestimos adequadamente e fomos à luta. Saímos pelas estradas embarradas do interior de São José dos Ausentes atrás do Cachoeirão dos Rodrigues. O esforço valeu a pena. Depois de muito chafurdarmos no barro chegamos. A paisagem é linda demais! Os rios da região são cristalinos, correm em leitos de pedra. No local foi gravado cenas da novela O profeta e A casa das sete mulheres. A queda d’água impressiona. Saímos de lá e tentamos chegar ao Desnível dos Rios Silveira e Cerquinha, mas devido a estarem cheios, não conseguimos. Os dois rios correm paralelos, porém com desnível de altura, podendo, com as cheias, um despejar suas águas no outro. Foi uma pena não termos conseguido visitar. Mas nem tudo estava perdido. Um passeio pelo interior do município é garantia de paisagens deslumbrantes. As tradicionais mangueiras de pedra, muitas da época dos jesuítas, com quilômetros de extensão, são um traço marcante da região. As fazendas serranas são muito bonitas e tem características próprias. As florestas de araucárias, as gralhas azuis, as curicacas, os morros, os cânions, os rios, tudo forma uma das mais belas paisagens do país.
Voltamos pra pousada e depois do almoço fomos ao Cânion Pico do Monte Negro. Todos diziam que não conseguiríamos ver o cânion, devido ao fenômeno da inversão, da neblina e da chuva. Mesmo assim, insistimos e enfrentamos a tarde gelada e chuvosa. Fomos recompensados! Chegamos ao teto do RS, o Pico do Monte Negro sob forte cerração, mas rajadas de vento abriam e a paisagem se descortinava na nossa frente. O curioso é que o local mais alto do Estado parece um simples morrinho. Só que o lugar é muito alto. São 1.403 metros. É preciso tomar muito cuidado ao caminhar sob cerração, pois no terreno plano o cânion aparece como um rasgo na terra, com mais de mil metros de profundidade. Ali também fomos abençoados por rajadas de ventos que levaram as nuvens e por alguns segundos podíamos olhar toda a beleza do lugar. Apesar da chuva, do frio e do cansaço de caminhar no terreno irregular, valeu demais ter ido lá.
Voltamos para a pousada satisfeitos. Depois de um bom banho quente e mais umas coisas gostosas na beira da lareira, só restava agradecer pelo dia que tivemos.
Curiosidades da Pousada Fazenda Aparados da Serra. A proprietária, Bete. é uma das melhores cozinheira da região. Bom motivo pra visitar o local! O proprietário, Mário, participou, como figurante, de “A casa das sete mulheres” e é um bom papo. O filho deles, o Guilherme, foi o garotinho do início da novela “O profeta”. Além disso, são simpatisíssimos, atenciosos e, como todo gaúcho, por demais de hospitaleiros. Estando hospedado em uma das pousadas de São José dos Ausentes, pode-se visitar as atrações nas demais pousadas sem custo algum.
No dia seguinte, quando estávamos de partida, o sol resolveu aparecer com toda sua força. O céu azul era um convite pra ficar, mas tínhamos que voltar. Depois do chimarrão, um bom café, e estrada. Saímos em direção ao centro de São José dos Ausentes. Passamos pelo distrito de Silveira antes de chegar à cidade. Da pousada ao centro, são mais de 40 km de estrada de chão. Com o barro, todo cuidado é pouco. Seguimos pra Bom Jesus, onde almoçamos e nos separamos. Como eu tinha que voltar ao trabalho e o Roque podia ficar, ele ficou em Bom Jesus e nós seguimos pra Vacaria e de lá descemos até Rio Grande.
Tchê, foi um passeio inesquecível! Ainda mais como fizemos, indo do Norte aos Ausentes. Quem sabe não voltamos no verão para ver o fundo do Itaimbezinho, pela trilha do rio do Boi?

Natal galponeiro

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A cuia do chimarrão,
É o cálice do ritual,
E o galpão é a Catedral
Maior da terra pampeana,
Que de luzes se engalana,
Para esperar o NATAL.

A cuia aquece na palma
Da mão da indiada campeira,
Dentro da sua maneira,
Rezando e chairando a alma,
Para recuperar a calma,
Que fugiu do mundo inteiro.
Enquanto o estrelão viajeiro,
Já vem rasgando caminho,
para anunciar o “Piazinho”,
A Virgem e o Carpinteiro.

Em nome do Pai,
- Do Filho e do Espírito Santo,
É o chimarrão que levanto,
E o vento faz estribilho,
A prece do andarilho,
Ao Piazito Salvador,
Filho de Nosso Senhor,
Do Espírito e do Pai,
De volta a terra aonde vai,
Falar de novo em amor!

Tem sido assim - dois mil anos,
Ninguém sabe - mais ou menos,
Vem conviver com os pequenos,
De todos os meridianos,
E repetir aos humanos,
As preces de bem querer.
Quem sabe até - pode ser,
Que um dia seja atendido,
E o mundo velho perdido,
Encontre paz para viver.

Ele sabe da apertura,
Em que vive o pobrerio,
A fome - a miséria - o frio,
Porque passa a criatura,
Mas que - inda restam - ternura,
Amizade e esperança,
É que pode, a cada andança,
Mesmo nos ranchos sem pão,
Aliviar o coração,
Num sorriso de criança!

Pra mim - que ouvi na missões,
Causos de campo e rodeio,
Do “Negro do Pastoreio”,
Cruzando pelos rincões,
Das lendas de assombrações,
E cobras queimando luz.
Foste - Menino Jesus,
O meu sinuelo de fé,
Juntando ao índio Sepé,
O Nazareno da Cruz!

E a Santa Virgem Maria,
Madrinha dos que não tem,
Fez parte - sempre - também,
Da minha filosofia,
Eu que fiz de Sacristia,
Os ranchos de chão batido,
E que hoje - encanecido,
Sou sempre o mesmo guri,
A bendizer por aí,
O pago que fui parido!

E o Nazareno que vem,
Das bandas de Nazaré,
Chasque divino da fé,
Rastreando a luz de Belém,
Ele que vai morrer também,
Pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
Salve o Menino Jesus!
Mas o que fogem da luz,
O matam todos os dias.

Presentes - “Papais Noéis”,
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a “mil-réis”,
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram JESUS,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!

Que os anjos digam amém,
Para completar a prece,
Do gaúcho que conhece,
As manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
Mesmo sendo carpeteiro,
Mas rezo um Te-Déum campeiro,
Nessa Catedral selvagem,
Pra que faça Boa Viagem,
O enteado do Carpinteiro!

Autoria: Jayme Caetano Braun

Triste situação

sábado, 5 de dezembro de 2009

Como costumo fazer, sempre que posso, caminho pelas ruas de minha cidade. Como disse em outra ocasião, Rio Grande é uma bela cidade, debruçada às margens da Lagoa dos Patos (que sei tratar-se de uma laguna). A paisagem é única e ilhas enfeitam o horizonte de quem visita o centro e ali o pôr do sol é lindo.
Apesar disso tudo, a população e administração municipal não veem isso. Hoje, enquanto eu caminhava no Mercado do Peixe, um comerciante local pegou duas enormes caixas com vísceras e restos de pescado, se dirigiu calmamente ao cais e simplesmente despejou o conteúdo nas águas da lagoa. Isso tudo às 13h. Infelizmente, tive a certeza de que é uma prática comum, em que não há nenhuma coibição. A lagoa, assim como todo e qualquer terreno vazio vira depósito de lixo. E essa cena presenciei a alguns metros da Prefeitura Municipal de Rio Grande.
Uma outra coisa que me chamou atenção é que a poucos dias do Natal, Rio Grande não tem um único enfeite, ao contrário de outras cidades do RS, como a vizinha Pelotas, toda decorada. Triste o estado de minha cidade.
Enquanto isso, a população continua jogando lixo por onde bem entende!

Castelo de Pedras Altas vira patrimônio

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O protocolo de tombamento do Castelo de Pedras Altas foi assinado no sábado (28/11) pela secretária de Estado da Cultura, Mônica Leal, no município. O documento inclui o acervo bibliográfico e documental e os bens móveis e naturais para conservação e manutenção.
A Granja de Pedras Altas foi o grande projeto de Joaquim Francisco de Assis Brasil. Político, diplomata, produtor rural e intelectual gaúcho, ele construiu uma moradia em forma de castelo medieval, inaugurada em 1912, onde instalou uma biblioteca com obras raras e diversificadas.
O ato de tombamento ocorreu na mesma mesa onde foi assinado o Pacto de Pedras Altas, que pôs fim à Revolução de 1923. A neta de Assis Brasil, Lydia Assis Brasil, esteve presente ao evento, ao lado de autoridades da região e comunidade.