Do Norte aos Ausentes, uma viagem aos Campos de Cima da Serra (parte 4)
Buenas, mas o terceiro dia de nossa viagem não amanheceu dos melhores. Chuviscava, a cerração era forte e a temperatura baixa, mas como viemos nos aventurar, nos vestimos adequadamente e fomos à luta. Saímos pelas estradas embarradas do interior de São José dos Ausentes atrás do Cachoeirão dos Rodrigues. O esforço valeu a pena. Depois de muito chafurdarmos no barro chegamos. A paisagem é linda demais! Os rios da região são cristalinos, correm em leitos de pedra. No local foi gravado cenas da novela O profeta e A casa das sete mulheres. A queda d’água impressiona. Saímos de lá e tentamos chegar ao Desnível dos Rios Silveira e Cerquinha, mas devido a estarem cheios, não conseguimos. Os dois rios correm paralelos, porém com desnível de altura, podendo, com as cheias, um despejar suas águas no outro. Foi uma pena não termos conseguido visitar. Mas nem tudo estava perdido. Um passeio pelo interior do município é garantia de paisagens deslumbrantes. As tradicionais mangueiras de pedra, muitas da época dos jesuítas, com quilômetros de extensão, são um traço marcante da região. As fazendas serranas são muito bonitas e tem características próprias. As florestas de araucárias, as gralhas azuis, as curicacas, os morros, os cânions, os rios, tudo forma uma das mais belas paisagens do país.
Voltamos pra pousada e depois do almoço fomos ao Cânion Pico do Monte Negro. Todos diziam que não conseguiríamos ver o cânion, devido ao fenômeno da inversão, da neblina e da chuva. Mesmo assim, insistimos e enfrentamos a tarde gelada e chuvosa. Fomos recompensados! Chegamos ao teto do RS, o Pico do Monte Negro sob forte cerração, mas rajadas de vento abriam e a paisagem se descortinava na nossa frente. O curioso é que o local mais alto do Estado parece um simples morrinho. Só que o lugar é muito alto. São 1.403 metros. É preciso tomar muito cuidado ao caminhar sob cerração, pois no terreno plano o cânion aparece como um rasgo na terra, com mais de mil metros de profundidade. Ali também fomos abençoados por rajadas de ventos que levaram as nuvens e por alguns segundos podíamos olhar toda a beleza do lugar. Apesar da chuva, do frio e do cansaço de caminhar no terreno irregular, valeu demais ter ido lá.
Voltamos para a pousada satisfeitos. Depois de um bom banho quente e mais umas coisas gostosas na beira da lareira, só restava agradecer pelo dia que tivemos.
Curiosidades da Pousada Fazenda Aparados da Serra. A proprietária, Bete. é uma das melhores cozinheira da região. Bom motivo pra visitar o local! O proprietário, Mário, participou, como figurante, de “A casa das sete mulheres” e é um bom papo. O filho deles, o Guilherme, foi o garotinho do início da novela “O profeta”. Além disso, são simpatisíssimos, atenciosos e, como todo gaúcho, por demais de hospitaleiros. Estando hospedado em uma das pousadas de São José dos Ausentes, pode-se visitar as atrações nas demais pousadas sem custo algum.
No dia seguinte, quando estávamos de partida, o sol resolveu aparecer com toda sua força. O céu azul era um convite pra ficar, mas tínhamos que voltar. Depois do chimarrão, um bom café, e estrada. Saímos em direção ao centro de São José dos Ausentes. Passamos pelo distrito de Silveira antes de chegar à cidade. Da pousada ao centro, são mais de 40 km de estrada de chão. Com o barro, todo cuidado é pouco. Seguimos pra Bom Jesus, onde almoçamos e nos separamos. Como eu tinha que voltar ao trabalho e o Roque podia ficar, ele ficou em Bom Jesus e nós seguimos pra Vacaria e de lá descemos até Rio Grande.
Tchê, foi um passeio inesquecível! Ainda mais como fizemos, indo do Norte aos Ausentes. Quem sabe não voltamos no verão para ver o fundo do Itaimbezinho, pela trilha do rio do Boi?