Se é verdade que podemos conhecer alguém pelas suas companhias, então Loreena McKennitt é, de fato, uma
pessoa notável. Está tão à vontade na presença física de executivos da indústria musical como na presença
metafísica de São João da Cruz, um clérigo Espanhol do século XV.
Juntar a cultura celta a elementos da música oriental, introduzindo um toque erudito e utilizando instrumentos
folclóricos, aliados aos sons eletrônicos obtidos através de sintetizadores. Some-se a isto vocais diáfanos que
remetem a eras indefinidas. A receita desta mistura é o sucesso da canadense Loreena McKennitt.
Loreena possui uma voz que ela explora sem cair nos arroubos desnecessários. Tudo é encaixado perfeitamente
na estrutura musical, que ela mesma assina. Ela assina nada menos do que as composições,arranjos,
produção e até a distribuição dos seus trabalhos. Os discos de Loreena são lançados pela Quinland Road. Nunca
ouviu falar? Não admira... a QR tem como contratados a intrumentista e cantora Loreena McKennitt. Só. Ela fundou seu
próprio selo para distribuir seus discos no Canadá, mas como seu nome e sua música atravessando as fronteiras
do país, Loreena associou-se à Warner que colocou seu quarto álbum, The Visit, em 31 países. O disco foi
platina dupla no Canadá e vendeu 300 mil cópias em outros países (200 mil só nos Estados Unidos). O CD também
recebeu disco de ouro em países como a Austrália, Nova Zelândia, Itália e Espanha. A gravadora de uma única artista
mostrou-se um sucesso e já; vendeu mais de 4 milhões de álbuns em 40 países. Seu recente CD, The Book
of Secrets é um poderoso exemplo das qualidades do trabalho de Loreena, retrabalhando musicalmente, à maneira
de um mosaico, influências tão diversas quanto a musicalidade sufi, as paisagens da natureza siberiana, as
andanças do aventureiro Marco Polo ou o espetáculo proporcionado pelos áureos tempos de Veneza. Por ocasião do
lançamento do CD no Brasil, Loreena concedeu uma
entrevista, por telefone à
Eduardo Araia, da revista Planeta Nova Era.
Desnecessário dizer que não foi sempre assim. Tal como muitas crianças, Loreena demonstrou um óbvio interesse
pela música. Foi então que se iniciou o seu treino formal, apesar de a certa altura querer ser veterinária quando
crescesse. Não é uma ocupação fora do comum para uma filha de um comerciante de gado em Morden, Manitoba. Mas
o amor pela música foi mais forte do que a criação de animais. Cedo ela começou a aprender música. Loreena
estudou piano clássico por 10 anos e canto durante cinco anos. Ela cantou em corais, apresentou-se em clubes locais
de música folk e espetáculos musicais da região nos anos 70. No início dos anos 80, Loreena mudou-se para Stratford,
Ontario, onde trabalhou como compositora, atriz e cantora no Festival Shakespeareano do Canadá. Não iria demorar
muito para que ela partisse rumo a Toronto. Com a
harpa
debaixo do braço, os cabelos vermelhos soltos caindo pelos
ombros, Loreena era uma figura e tanto. Chegou a representar o Canadá em apresentações dentro e fora do país,
escreveu trilhas sonoras para filmes (é dela o tema de Leolo, de Jean-Claude Lauzon) e tocou em festivais. Isto
até 1985, quando ela lança seu primeiro
disco.
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