O Movimento do Software Livre - Anarquismo em Ação por Asa Winstanley em 22.12.2003 tradução de Carlos A. P. Campani em novembro de 2004 Quais são as implicações do movimento do software livre (chamado 'open source' por líderes de negócios) para anarquistas e ativistas em geral? Podemos aprender algo disto? O quanto são anarquistas o GNU/Linux e outros projetos? Pouca análise ou debate tem sido feita sobre isto. Meu artigo pretende apresentar alguma. 1) Introdução O movimento do software livre [N.T.: "free software" no original] tem se desenvolvido desde 1984, mas existe pouco discussão e debate sobre ele nos círculos anarquista e ativista em geral, além de uma vaga discussão sobre "Linux". Uma análise teórica anarquista do movimento e as lições que podemos aprender dele parecem notáveis somente por sua ausência. Ainda este é um movimento o qual está correntemente provocando uma revolução na forma com que indivíduos, grupos e companias usam e criam sistemas de computador. Eu pretendo que este pequeno trabalho estimule debates posteriores, já que existe correntemente pouco. Além disto, eu não sou especialista em história e teoria do anarquismo, assim ficaria feliz de receber críticas das inevitáveis falhas nas minhas comparações. 2) Fundamentos 2.1) Definição e implicações do software livre Software livre refere-se a "liberdade", não preço. Ele é definido pela "Free Software Foundation" [N.T.: sigla FSF] consistindo de quatro pricipais liberdades - software que qualquer um tenha direito de: usar, distribuir, examinar e modificar para qualquer propósito, tanto grátis quanto pelo pagamento de uma taxa. Em termos práticos, ser livre para examinar e modificar o software requer acesso livre ao 'código fonte' do software. Muitos softwares são feitos pela 'compilação' do código fonte que os programadores escrevem e convertem em 'executáveis' - a linguagem de máquina que os processadores dos computadores entendem. Companias de software as quais fazem a maior parte, senão todo, os seus softwares não livres, como é o caso da Microsoft ou Apple, mantém o código fonte cuidadosamente guardado como "segredo comercial". Este sigilo tem implicações negativas na qualidade e segurança (1) do software assim como no nível de liberdade no seu uso, modificação e criação. Software livre é sobre liberdade, algo que os anarquistas apreciam. Assim, o conceito de software livre é libertário. E é também socialista já que todos tem direitos iguais nestas quatro principais liberdades. Além disto, o direito de cobrar uma taxa (e até ter algum lucro) não dá a ninguém o direito de impedir outros de oferecer o software gratuitamente. Na prática, isto significa que software livre publicado está quase sem excessão disponível sem cobrança de taxa pela Internet. Em termos práticos, software livre significa que não somente você pode fornecer aos seus amigos copias grátis do CD do GNU/Linux, os quais foram obtidas da Internet (2) sem violar uma lei, mas que pode também chamar seus amigos programadores para modificar, digamos, uma das bases de código da Indymedia [N.T.: site onde originalmente foi publicado este artigo] para adicionar características novas, ou fazer mais adequado o site do grupo. Não programadores podem contribuir para a comunidade submetendo relatórios de erros (corrigidos muito mais rapidamente que em projetos de software proprietário) e escrever documentação. 2.2) Copyleft - um conceito revolucionário Liberdade, no entanto, requer proteção. A idéia mais revolucionária no software livre é o "copyleft". Copyleft é uma subversão do sistema de direito autoral [N.T.: copyright], usando a lei contra ela própria. Sob licenças de software baseadas em copyleft, como o "GNU General Public License" (ou GPL), todas as copias e modificações do software devem ser distribuidas sob os mesmos termos. Isto garante as mesmas liberdades para todos. Assim, produz os nossos dois exemplos dos parágrafos prévios: as pessoas as quais você deu uma cópia grátis do CD do GNU/Linux estariam obrigadas a passar os mesmos direitos para qualquer um aos quais decidicem fazer cópias dos CDs; e as modificações dos seus amigos para o código base da Indymedia teriam de ser publicadas pela mesma licença. Isto cria um ciclo virtuoso, um software comum a que todos podem contribuir, mas nenhum pode tomar. Diferente de software não livre, código copyleft garante uma base de conhecimento crescente de onde as pessoas podem aprender, e igualmente importante, contribuir. Desta maneira, todos se beneficiam a medida que o código pode ser melhorado por todos. Por causa disto, Microsoft tem se referido ao GPL como um "cancer" e "anti-americano" (3) - um definitivo sinal que eles estão preocupados. Software livre não licensiado por copyleft é infelizmente propenso a ser furtado por parte de alguns. O uso do kernel do BSD pela Apple para o seu OS X é um caso destes, o qual analizaremos em profundidade mais adiante. 2.3) Alguns termos confusos a evitar: "freeware", "shareware" e "Open Sorce" Para evitar alguma confusão, existem diversos termos que evitaremos se estamos interessados em promover a liberdade no software. Os termos "freeware" e "shareware" não se referem a software livre. Freeware não tem definição clara, mas usualmente significa somente download grátis, sem direito a modificação ou acesso ao código fonte. Shareware é um tipo "tente antes de comprar" de software proprietário o qual não fornece direitos totais de uso (ele é frequentemente restrito com exigência de períodos de experiência de uso ou um conjunto incompleto de recursos), sem direitos de examinar o fonte ou modificar. A FSF (Free Software Foundation) tem um diagrama (4) o qual explica as diferenças entre os diversos termos. O movimento "fonte aberto" [N.T.: "open source" no original] se sobrepõe largamente com o do software livre, mas tem objetivos finais diferentes. Na prática a vasta maioria do que chamamos "open source" são também projetos de software livre, e de fato muitos são copyleft também. Felizmente, o GPL é de longe a mais popular licença de software livre, cobrindo muitos projetos incluindo o próprio poderoso sistema operacional GNU/Linux (popularmente conhecido como "Linux"). Contudo, enquanto o maior objetivo da FSF em particular e do movimento do software livre em geral é promover a liberdade no uso e criação de software, o objetivo do movimento "open source" (incluindo o OSI - Open Source Initiative) é aumentar a eficiência da produção. Basicamente, ele é software livre retocado para parecer mais agradável para os executivos, assustados com as implicações "anti-americanas" da "liberdade". Este movimento novo (5) tem conduzido para cismas na comunidade de software livre. Na prática, a diferença é frequentemente somente uma questão de ênfase. Contudo, o foco ao chamar os lideres de negócios para comportar-se melhor em termos de como eles produzem seu software tem no passado conduzido a compromissos não muito sadios. Minha opinião é que, como pessoa que acredita em liberdade antes de eficiência, nós devemos referir-nos a "software livre" e não "open source". 2.4) "Software Não Deve Ter Proprietários" O hacker [N.T.: expressão inglesa que designa alguém capaz de explorar os aspectos internos do software dos computadores] Richard Stallman é uma espécie de hippie, o equivalente no mundo dos programadores a Noam Chomsky. Ele é o lider da FSF, fundador do projeto GNU e o autor do GPL. Ele é visto como o principal fundador e gardião espiritual dos conceitos de software livre e copyleft. Embora seu principal trabalho hoje seja como uma espécie de propagandista internacional, defensor e zelador da causa do software livre, ele foi já um prolífico programador. Ele programou as versões originais do editor Emacs, o compilador GCC e trabalhou em outros projetos que são parte vital do sistema operacional GNU. De fato, ele trabalhou tão duro neles, que existe um rumor que uma das razões que ele raramente programa agora é que ele desenvolveu uma lesão muscular por repetição nos pulsos de tanta digitação. Ele certa vez descreveu-se como "uma espécie de combinação entre liberal e esquerdista anarquista. Eu gosto de ver as pessoas trabalhando juntas, voluntariamente, para resolver os problemas do mundo. Mas, se nós não podemos faze-lo, eu penso que nós deveriamos ter o governo envolvido para soluciona-las." (6). 3) Software Livre Triunfante 3.1) O que é GNU/Linux? GNU/Linux é um sistema operacional livre que é considerado o iminente sucessor no mundo da informática de todos os sistemas operacionais comerciais. Ele tem uma base instalada de aproximadamente 18 milhões de usuários (7) [N.T.: estimativa do final de 2003, a previsão para 2008 são de 7,5% de máquinas vendidas com Linux pré-instalado]. Ele tem sua origem em Janeiro de 1984 quando Stallman iniciou o projeto GNU. Seu projeto segue largamente o do sistema UNIX proprietário. Foi parcialmente uma reação do fechamento da cultura de software no laboratório de IA no MIT quando Stallman trabalhava lá, que ele iniciou o projeto (8). O objetivo ambicioso foi criar um sistema operacional de um esboço que fosse completamente livre e despoluido da inclusão de código vindo de qualquer sistema proprietário. No início dos anos noventa, este objetivo estava largamente alcançado. Somente um componente vital estava faltando - o kernel. O kernel é o conector central de qualquer sistema operacional; ele faz a comunicação entre programas e entre o software e o hardware. Em 1991 na Finlandia um estudante de computação chamado Linus Torvalds iniciou um novo passatempo. Ele iniciou a escrever seu próprio kernel (licenciado sob o GPL) e adicionou as ferramentas de sistema do GNU para fazer um sistema operacional tipo UNIX. De início ele jocosamente chamou-o seguindo o seu próprio nome: 'Linux', mas no momento em que muitos outros programadores iniciaram a se envolver o nome vingou. Quando o sistema tornou-se maduro e principiou seriamente a levantar vôo em meados dos anos noventa, Stallman e a FSF ficaram descontentes com o nome que o sistema foi popularizado: Linux. Ele argumentou que o projeto GNU deveria receber crédito no nome, visto que eles tinham feito a maior parte do trabalho. Existe uma opinião que diz que 'GNU/Linux' é muito desconfortável para ser usado na linguagem diária, além do que Torvalds e os outros hackers de kernel tinham chamado o sistema todo de 'Linux' desde o primeiro dia. Entretanto, o fato permanece que Linux é realmente somente o kernel, e a maior parte do sistema é código GNU. Enquanto GNU não pode trabalhar como um SO sem Linux (9), Linux não pode trabalhar sem GNU. Assim, o termo preferido: GNU/Linux. Devido a natureza como o GNU/Linux surgiu, não existe um fornecedor único. Varios vendedores criaram 'distribuições'. Elas variam de distros profissionais bem comportadas por 'companias Linux' como Red Hat, Mandrake e SuSE; projetos de menor escala para uso pessoal ou mais especializado, como Gentoo ou SmoothWall (uma distro de Firewall); e então existe Debian. Debian, segundo o que sei, é única no mundo dos sistemas operacionais. Ela é um sistema operacional montado e mantido por uma grande comunidade de programadores voluntários. Ela tem uma Constituição, um Contrato Social o qual (diferente de 'companias de Linux') garante que somente software 100% livre será usado na distribuição Debian, uma forte comunidade de suporte e muitos usuários de alta demanda. Tudo isto é executado em um modo democrático sem gerentes e chefes. Decisões de projeto são feitas por listas de e-mail e em comites; um 'lider de projeto' é eleito uma vez ao ano para tratar a coordenação de alto nível. Debian reflete a mais pura forma de ideal de software livre. Indiscutivelmente, ela é tanto tecnicamente a melhor distro GNU/Linux, como é largamente aceita como a segunda mais popular distribuição GNU/Linux atrás apenas da Red Hat (10). 3.2) Não Somente Sistemas Operacionais Agora existe um equivalente de software livre para quase qualquer software de Windows e Mac que você possa nomear. Em termos de software destinado a redes, o software livre supera por larga margem o número de ofertas de programas nativos Windows e Mac. Por exemplo, o servidor web Apache é de longe o mais popular software servidor web em existência (11) e é frequentemente aceito como o melhor que existe. Grandes corporações incluindo HP, Apple e a BBC usam-no para sites web de alta demanda. Além disto, software livre efetivamente roda a Internet. Muitos dos pacotes de software usados na infra-estrutura da Internet são software livre: BIND faz o trabalho de nomes de domínios (como por exemplo www.enrager.net ou www.bbc.co.uk) e sendmail é responsável por enviar uma grande proporção do tráfico de e-mail do mundo. Desde o início, GNU/Linux tem sido mais popularmente usado em servidores Internet de vários tipos. Ele tem sido tradicionalmente fraco no desktop, dando a Microsoft liberdade de reinar. Desde o final dos anos noventa, este não tem sido mais o caso. GNU/Linux está rapidamente adquirindo maturidade em um ambiente desktop muito amigável com uma quantidade de aplicações para o usuário comum. Clientes de e-mail, navegadores para web, programas gravadores de CD, suites Office, programas gráficos e de audio: está tudo lá. Existe até pacotes de bancos de dados poderosos, como MySQL. Os únicos pacotes principais, maduros, atualmente em falta são editoração eletrônica e edição de vídeo. Dê três anos e todos eles estarão desenvolvidos. Muitos entendidos no mundo da informática estão atualmente prevendo a eminente conquista do desktop pelo GNU/Linux. Sendo esta a principal fonte de renda da Microsoft, não é surpreendente que eles ataquem o GNU/Linux. O único sério fator segurando o GNU/Linux no desktop são as práticas monopolistas da Microsoft. Muitos usuários normais de computador usam apenas aquilo que eles encontram instalado em suas máquinas, e por enquanto, a Microsoft tenta de todas as formas que continue sendo Windows. Outro fator é suporte a hardware. Mas isto tem melhorado muito nestes últimos poucos anos com fabricantes de hardware abrindo as suas especificações de tal forma que a comunidade possa escrever drivers software livre para eles, ou mesmo publicando eles próprios seus drivers sob o GPL. Adicionalmente, GNU/Linux não é o único sistema operacional livre. Existe também vários sistemas baseados em BSD, alguns anteriores ao GNU/Linux. Eles incluem FreeBSD, NetBSD, e OpenBSD. Existe software livre que não é protegido pelo copyleft. Software livre foi muito além de um brinquedo de entusiastas. Ele é uma força que tem que ser contabilizada. 4) As implicações do sofware livre para os anarquistas 4.1) O conceito de Copyleft além do software Em seus artigos sobre direito autoral [N.T.: copyright], trademarks e patentes, o próprio Stallman comenta que o conceito de copyleft usado no mundo do software pode não ser apropriado para todas as esferas da vida. Contudo, ele nota que é o conceito convencional de copyright que força um modelo para todos os tipos de trabalhos, técnicos ou artísticos. Stallman vai além rejeitando o conceito capitalista de "propriedade intelectual" e rejeita o termo inteiramente ("eu não tenho opinião sobre 'propriedade intelectual', e nem deve você ter" (12) ). Seu raciocínio é que ele é simplesmente um 'termo de propaganda' que os capitalistas usam para confinar diversos conceitos inteiramente separados: copyrights, trademarks e patentes. O software livre e particularmente os conceitos de copyleft representam um ataque frontal ao direito de grandes corporações e incontáveis organismos como a WTO [N.T.: Organização Mundial do Comércio - OMC] e WIPO [N.T.: Organização Mundial da Propriedade Intelectual] para mercantilizar idéias, informação e até genes e organismos vivos. O que resultaria se o espírito destes conceitos fosse adaptado para outras esferas? Tem sido feitos vários movimentos nesta direção. Assim como o GPL a FSF desenvolveu a Licença de Documentação Livre [N.T.: no original: "Free Documentation license" - FDL], porque "software livre deve ter documentação livre". Isto tem ajudado a difundir o princípio de copyleft para trabalhos escritos de diversos gêneros. A O'Reilly, uma editora de livros de computador popular na comunidade de software livre publica alguns de seus trabalhos sob a FDL e os faz disponíveis gratuitamente em seu web site. O excelente, volumoso FAQ de Anarquismo é licensiado sob a FDL (13). Existe também uma enciclopédia on line licensiada pela FDL chamada Wikipedia. O nome vem do fato que o site roda sobre software "Wiki". Wiki é outro conceito libertário. Simplesmente ele permite qualquer um modificar qualquer página do site, com todas as versões de cada página sendo mantidas. Isto significa que vândalos normalmente não preocuparão. Céticos podem pensar que isto iria resultar em caos, mas de fato resulta em uma enciclopédia de excelente qualidade, com mais de 168.000 artigos [N.T.: dados do final de 2003, hoje conta com mais de 400.000 artigos] e aumentando. Wikipedia é também de um modo geral mais livre em sua ideologia, dando espaço para vários pontos de vista. Ela tem bons artigos relacionados com anarquismo (contudo, muitos dos artigos de países estão com uma séria necessidade de (nossa) ajuda, já que o ponto de partida de muitos deles foi o CIA World "Fact"-book... [N.T.: livro publicado pela agência de espionagem dos EUA]). Existe também um projeto de copyleft para a área do direito. Wendy Selzer o qual é responsável pela Openlaw [N.T.: seria traduzido como "direito aberto"] diz, "nós deliberadamente usamos o software livre como modelo. Os ganhos são os mesmos dos de software. Centenas de pessoas escrutinando o 'código' por erros, e fazendo sugestões de como conserta-los. E pessoas tomarão partes pouco desenvolvidas do argumento, trabalharão nelas, e melhorarão." Aqueles envolvidos com o Openlaw acreditam fortemente que estratégias abertas são uma forma particularmente efetiva de ajudar cidadãos e comunidades a obterem seus direitos (14). 4.2) Métodos Organizativos da comunidade de Software Livre GNU e o copyleft tem capturado a imaginação da comunidade de hackers, por razões tanto práticas como políticas. O contrato de copyleft tornou-se um símbolo de conquista idealística e técnica assim como de integridade pessoal e política. Aqui os anarquistas podem ver uma vindicação de suas idéias reproduzidas no mundo real. Mas e sobre seus métodos organizacionais? Muitos pequenos projetos de software livre são escritos por um pequeno grupo de hackers trabalhando através da Internet. Isto é feito no tempo de folga ou durante o horário de serviço se eles podem se afastar para fazer isto (oficialmente ou não) como parte da definição de seu trabalho. Muitos são estudantes e acadêmicos. A pequena escala e a natureza volutária destes projetos os fazem efetivamente libertários. O tamanho pequeno dos grupos também os faz muito efetivos, enquanto ainda são capazes de atrair a atenção de uma comunidade maior via revisões, testes, atualizações de software e relatórios de erros. Há uma lição nisso para nós? Contudo, alguns dos projetos de software livre de grande porte são frequentemente meritocráticos e mesmo autoritários em sua estrutura organizacional. A organização em torno do próprio kernel do Linux é talvés melhor descrita como uma 'ditadura meritocrática'. Ela é colaborativa no sentido que centenas de atualizações e relatórios de erros são submetidos por um grande grupo de pessoas toda a semana, mas no final é 'Linux', e Linus tem a palavra final para dizer o que entra e o que não entra. Existe também uma hierarquia meritocrática de pequena escala no pessoal que apoia Linus; aqueles considerados os melhores para o trabalho baseado nas habilidades e conhecimento que eles demonstraram em contribuições prévias. Seria instrutivo ver como um kernel criado de uma forma mais democrática iria desenvolver-se. 4.3) Cruzamentos Existem correntemente alguns pontos de contato entre o movimento do software livre e o movimento anarquista, assim como com o movimento anti-capitalista mais amplo. Um exemplo é o grupo ActiviX, os quais organizam dias de treinamento para ajudar ativistas a usar o GNU/Linux. Existe também uma cultura emergente de 'Hacklabs' em muitos países europeus, acesso aberto a computadores em espaços políticos. Um está sendo feito na loja de livros Freedom Press em Londres. Tal trabalho deve continuar e aumentar e as conecções precisam ser mais desenvolvidas. Teóricos anarquistas fariam bem em considerar seriamente as implicações do movimento para anarquistas como uma teoria social e industrial. Por muito tempo os teóricos anarquistas tem usado exemplos do passado para formas mais libertárias de criar e manter sistemas complexos. Com o advento do GNU/Linux, nós não precisamos mais permanecer apenas no passado. Precaução deve ser usada nestas análises. Como comentado acima, o movimento do software livre não é totalmente anarquista, nem mesmo libertário. Os fatos e suas implicações devem ser estudados com humildade, procurando aprender mais que nós procuramos ensinar. Assim, nós não devemos nos preocupar com o interesse mostrado pelos Trotskistas e outros grupos de esquerda no movimento do software livre. Pequenos grupos de programadores de software livre guardam cuidadosamente sua independência por instinto. 4.4) Nossos sites favoritos usam sofware livre É também importante lembrar que anarquistas e ativistas em geral usam muito de software livre já (mas eles deveriam usar mais no desktop). Se você está lendo este artigo no enranger.net [N.T.: site original, de orientação anarquista, onde o artigo foi publicado pela primeira vez] você está usando software livre na navegação, mesmo que você use Windows ou Apple para acessar o site. Você está usando GNU/Linux e outros softwares livres toda a vez que você usa os seguintes web sites (somente alguns de milhares): Indymedia Uk e internacional, Infoshop, flag.blackened.net, AK Press UK. Muito dos sistemas de software online da comunidade, foruns e pacotes de conteúdo aberto para web sites são software livre, incluindo os códigos básicos da Indymedia. 4.5) O argumento "dirigir um navio" de Engels Em sua campanha contra idéias anti-autoritárias na Primeira Internacional [N.T.: o autor refere-se a Primeira Internacional Comunista], Engels perguntou em uma carta escrita em Janeiro de 1872 "como este pessoal [os anarquistas] propõe manter uma fábrica, operar uma estrada de ferro ou dirigir um navio sem ter ao final alguém que decida, sem um gerenciamento simples?" (15) Anarquistas sabem muito bem que a forma na qual trabalho coordenado ocorre -hierarquia autoritária ou por grupos cooperando livremente elegendo delegados quando necessário- faz toda a diferença. Agora nós temos o GNU/Linux e o resto do movimento do software livre com muitos exemplos de sistemas complexos que não tem lider, nem governo central ou gerência (Linus pode ser o 'ditador' do kernel do Linux, mas tentativas não dominaram outros projetos, mesmo se fosse possível, o que não é). 4.6) O papel contraditório das grandes empresas Grandes empresas com direitos adquiridos no GNU/Linux como Sun, HP, IBM frequentemente empregam seus programadores para adicionar novos recursos com os quais possam torna-lo mais usável com um de seus produtos de hardware. A natureza do GPL, contudo, significa que estas modificações e adições devem ser partilhadas com a comunidade. Porque grandes corporações dariam coisas de graça? Deveriamos relembrar que estas são geralmente companias que fazem seu dinheiro do hardware, não do software. Software é visto como um custo. Ser capaz de atrair os recursos da comunidade é uma grande aquisição para eles, e isto é algo que o movimento "Open Source" tem frequentemente defendido para te-los à bordo. Isto conta para a adoção do GNU/Linux e do "open source" pelas corporações nos anos mais recentes. O OS X da Apple usa em seu núcleo o sistema operacional BSD UNIX. Contudo, porque o BSD usa uma licença de software livre não copyleft mais permissiva, a liberdade do BSD não 'infecta' o OS X e ele permanece não livre. O núcleo do sistema operacional (sem a bela interface gráfica do Mac) é mantido separadamente como o projeto livre 'Darwin'. Este é um bom exemplo de porque copyleft deve ser usado para proteger propriedade comum. 5) O Futuro Assim, anarquistas devem perceber que embora software livre force os limites da liberdade, no final, ele trabalha com o capitalismo e nunca poderá 'infectar' o sistema todo. Ele não faz nada por mais por saúde pública geral, tomada de decisão em outras indústrias (ou mesmo muitas de suas próprias) ou relações sociais mais largas. Embora o conceito de copyleft (expresso na software mundialmente mantido pelo GNU GPL) seja revolucionário, nós não devemos ser tolos em pensar que tais conceitos somente irão levar a uma sociedade livre. Em um ponto ou outro, o movimento de sofwtare livre estará encontrando seus limites. Tanto limites em sua própria visão, limites impostos pelo próprio sistema de capital, ou mesmo limites agressivamente impostos por interesses de empresas. De fato, nós podemos ver o início disto nas recentes iniciativas contra o software livre: coisas como a propaganda anti-GPL da Microsoft, os processos judiciais da SCO contra o kernel do Linux e o avanço das patentes de software nos EUA e os acordos sobre elas na comunidade européia. Os limites são muito reais, especialmente quando você considera o que a própria Internet é, nas palavras de Chomksy "uma instituição de elite", com a maioria da população do mundo não tendo acesso sequer a um telefone. Software livre certamente deve ser uma parte da sociedade livre do futuro. Embora isto possa não se realizar totalmente sobre condições capitalistas, como media independente, devemos ser encorajados a ir tão longe quanto se possa - colocando abaixo os muros de nossa atual prisão. 6) Referências 1 Software cujo código fonte não pode ser inspecionado é mais afetado por falhas de segurança - tanto por ataques de outros (chamados "crackers") ou pelos donos da instituição que controla o próprio software. Um caso é o controle de software do recém introduzido sistema de votação por toque na tela nos EUA. Criptografia PGP é também um exemplo da importância da inspeção em software de segurança. 2 Ou no caso do Wombles no último Natal, não somente para os seus colegas, mas para pessoas aleatoriamente na rua Oxford! CDs do GNU/Linux eram uma parte do evento do WOMBLES em solidariedade com os movimentos sociais argentinos na rua Oxford em 22 de Dezembro de 2002. Veja http://www.wombles.org.uk/news/article_2002_12_21_2158.php 3 John Lettice, "GPL Pacman will eat your business, warns Gates" - http://www.theregister.co.uk/content/4/19836.html 4 The Free Software Foundation, "Categories of Free and Non-Free Software" - http://www.gnu.org/philosophy/categories.html 5 O grupo OSI originou-se em torno de 1998, e iniciou cunhando o termo "open source". Ostensivamente, esta renomeação do software livre foi para clarificar as substanciais diferenças entre software livre e outros termos como "freeware". Não é segredo que um objetivo próximo foi obter mais aceitação nas corporações dos EUA. Nisto eles não conseguiram sucesso significativo. 6 http://vancouver-webpages.com/vanlug/1999-3/0475.html 7 The Linux Counter, "Estimating the number of Linux users" - http://counter.li.org/estimates.php 8 Richard Stallman, "The GNU Project" - http://www.gnu.org/gnu/thegnuproject.html 9 O verbo foi usado aqui no tempo passado porque o projeto do kernel do GNU (chamado HURD) está finalmente operacional, embora não ainda maduro. 10 Netcraft, "Debian Linux distribution 10 years old today" - http://news.netcraft.com/archives/2003/08/16/debian_linux_distribution_10_years_old_today.html 11 Netcraft, "October 2003 Web Server Survey" - http://news.netcraft.com/archives/web_server_survey.html 12 The Free Software Foundation, "Some Confusing Words Worth Avoiding" - http://www.gnu.org/philosophy/words-to-avoid.html#IntellectualProperty 13 "An Anarchist FAQ"; Introduction - http://www.geocities.com/CapitolHill/1931/intro.html 14 Graham Lawton, New Scientist. Cited in "SchNews of The World: Copyleft Hackers" - http://www.schnews.org.uk/sotw/copyleft-hackers.htm 15 The Marx-Engels Reader, p. 729, cited in "An Anarchist FAQ", section H 1.11 7) Sites recomendados The Linux Emporium http://www.linuxemporium.co.uk Um bom lugar para comprar CDs do GNU/Linux baratos (algumas vezes de graça) se você não tem acesso a banda larga. AktiviX http://www.seedsforchange.org.uk/aktivix1.html Projeto para atrair ativistas ao uso do GNU/Linux Community/Linux Training Centre Project http://www.fraw.org.uk/cltc/ Outro grupo de instrutores de GNU/Linux Freedom Pres Media HackLab http://www.freedompress.org.uk http://www.hacklabs.org/wiki/wiki.pl?Freedom_Hacklab Quando o web site da Freedom Press está no ar com certeza contém detalhes do novo Media Hacklab Debian GNU/Linux http://www.debian.org Uma das melhores tecnicamente e certamente a mais libertária distribuição do GNU/Linux Red Hat Linux http://www.redhat.com Uma distribuição corporativa, mas amigável, do GNU/Linux DistroWatch http://www.distrowatch.com Fornece bons artigos sobre diferentes distribuições Savannah http://savannah.gnu.org Um ponto central para o desenvolvimento de software livre. Deveria fornecer a você uma idéia da quantidade de coisas lá Wikipedia, the free encyclopedia http://www.wikipedia.org Uma enciclopédia colaborativa que qualquer um pode editar. Disponível pelo GNU FDL The OpenLaw project http://cyber.law.harvard.edu/openlaw 8) Leitura adicional The GNU Project and FSF website. http://www.gnu.org/philosophy/ A seção de filosofia do site da FSF é uma leitura vital das razões do software livre Richard Stallman, UNESCO and Free Software http://www.unesco.org/webworld/portal_freesoft/stallman_011001.shtml Uma breve introdução ao software livre e GNU/Linux Introduction to Linux http://linux.com/article.pl?sid=02/03/09/1727250 Um bom texto introdutório ao GNU/Linux para principiantes. Sem experiência necessária! Richard Stallman, "Why Software Should Not Have Owners" http://www.gnu.org/philosophy/why-free.html Ensaio sobre a importância da liberdade no uso e criação de software. Glyn Moody, "Rebel Code: Linux and the Open Source Revolution", Penguin Press, 2001 Copyright (c) 2003 Asa Winstanley. Permission is granted to copy, distribute and/or modify this document under the terms of the GNU Free Documentation License, Version 1.2 or any later version published by the Free Software Foundation. See the GNU Free Documentation License for more details: http://www.gnu.org/licenses/fdl.html - e-mail: asadude@rocketmail.com - Carlos Campani e-mail: campani@ufpel.edu.br