atolep é uma bela cidade, fria e úmida, situada no fim do fundo da América do Sul, às margens da Lagoa dos Patos. Suas ruas que avançam para um norte ou um oeste aproximados, terminam no campo; as que vão para um leste ou um sul, num mesmo lento e silencioso rio. Os campos do oeste metamorfoseiam-se, aos poucos, num intrigante conjunto de morros que abriga pedras, cachoeiras e árvores frutíferas. Os campos do norte são grandes latifúndios que o asfalto das estradas federais costura. Atravessando o rio no sentido leste, chega-se ao areião de uma praia; no sentido sul, à uma planície radical. (Adaptado de texto inédito de Vitor Ramil)
A umidade de Satolep é a maior do mundo. Nela João Simões Lopes Neto viu as faces possíveis da M'boitatá em cruzes de esquinas iluminadas. (Trecho de Satolep, livro inédito de Vitor Ramil)

A beleza de Satolep levou o poeta Lobo da Costa a escrever: "Morrer! Morrer... que me importa, se tudo aqui me encanta." (Adaptado de texto inédito de Vitor Ramil)
O calçamento perfeito e o traçado rigoroso das ruas o excitaram pela manhã; à tarde, a delicadeza das fachadas contra o horizonte selvagem da planície o emocionou; quando escureceu, superfícies úmidas espelhadas numa geometria de sombras cambiantes puseram-no a imaginar e conceber tantas coisas que, embora falasse sem parar, não encontrava tempo de descrevê-las para mim. (Trecho de Satolep, livro inédito de Vitor Ramil)
Satolep revelada na radicalidade dos ângulos retos; infalível como o relógio alemão na torre sobre o mercado; espalhando-se ao redor como um argumento inexorável. (Trecho de Satolep, livro inédito de Vitor Ramil)
Sabe-se que Satolep originou A Estética do Frio, Pequod, Joquim, e Satolep, assim como toda a obra de Vitor Ramil. Só não se sabe ao certo se Vitor Ramil nasceu em Satolep, em 7 de abril de 1962, ou se Satolep nasceu em Vitor Ramil, assim como não se sabe se o Barão de Satolep é obra de Vitor Ramil ou o contrário.
Muito antes das charqueadas
Da invasão de Zeca Netto
Eu existo em Satolep
E nela serei pra sempre
O nome de cada pedra
E as luzes perdidas na neblina
Quem viver verá que estou ali
(Vitor Ramil - Satolep)
itor Ramil vive em Satolep. Todos os seus discos têm sido gravados no Rio de Janeiro; lá, em Porto Alegre ou em Belém do Pará um público esperto acompanha muito de perto seu trabalho. Mas nada disso quer dizer que em algum momento ele tenha saído de Satolep.
Estrela, Estrela, o primeiro disco, ele gravou aos dezoito anos. Depois vieram A paixão de V segundo ele próprio e Tango. Seu novo CD, À Beça será lançado nacionalmente em setembro próximo pela gravadora Cucamonga/Castle.
Em novembro de 95, na última feira do livro de Porto Alegre, Vitor lançou seu primeiro livro, a novela Pequod - agora já traduzido para o Espanhol. Junto saiu uma tiragem especial de À Beça, como um pré-lançamento do CD, com distribuição restrita ao Sul.
Estes dois trabalhos são o resultado de uma reclusão de Vitor em Satolep. Conta-se que neste período de intensa produção o compositor/escritor era visto trabalhando em sua casa ou no Grande Hotel durante o dia; à noite, na residência do Barão de Satolep.
 Casa de Vitor Ramil |  Grande Hotel |  Residência do Barão
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arão de Satolep. Este lado escuro de Vitor Ramil, este ser monstruoso e ao mesmo tempo humano, ácido e lírico, atuou pela primeira vez em Porto Alegre, no final da década de oitenta.

O público que então o prestigiou em suas primeiras apresentações viu-o cantar musicas como Meu Putinho, Fezes no Fundo do Vaso Sanitário e Leprosética; viu-o declamar, em idioma satoléptico, e coreografar uma música da Xuxa depois de ter cantado Augusto dos Anjos e E.E.Cummings; viu-o contracenar com a freira negra que cuida dele desde que nasceu; e emudeceu com alegria quando a pálida e corcunda criatura de Satolep ordenou a todos que calassem a boca e parassem de aplaudir.
O Barão de Satolep participou de vários shows de Vitor Ramil, entre eles Midnicht Satolep e A Invenção do Olho; dividiu o palco no show Animais com seu parceiro Monge Giannetti - lado roxo do compositor e pianista Celso Loureiro Chaves -, que igualmente vive em Satolep, em uma caixa d'água abandonada; e participou do aniversário de cinco anos do espetáculo Tangos e Tragédias, de seus amigos Kraunus e Pletskaya (visite a home page deles!), da Sbórnia. Aliás, neste país flutuante, a Sbórnia, o Barão possui terras onde ergueu um belíssimo palacete, o qual batizou com o nome de sua cidade natal, Satolep. Quando a Sbórnia passa pelo litoral do extremo sul do Brasil, ele embarca em sua Nau das Idéias e navega atrás de descanso em suas propriedades naquele lendário e fugidio país.

Palacete do Barão nas terras da Sbórnia
O Barão está há muito tempo isolado em Satolep, afastado dos palcos. Uma verdadeira multidão foi esperá-lo na Estação Ferroviária após sua declaração de que o espetáculo A Invenção do Olho seria sua última aparição pública. Na ocasião o célebre corcunda frustou a todos, descendo diretamente em sua propriedade à bordo de um balão.
Mas agora seu público fiel poderá vê-lo de volta em dois espetáculos: no lançamento oficial do CD À Beça, em setembro, e no show que está preparando com o anão tocador de serrote Macuco Serra, com estréia programada para 97.
O que virá depois, é como diz o próprio Barão: